China condena à prisão os autores de ataques com seringas

A justiça chinesa impôs importantes penas de prisão para os autores de uma série de ataques com seringas atribuídos aos separatistas muçulmanos da etnia majoritária uigur da região de Xinjiang, noroeste da China.

AFP |

Uma série de ataques com seringas em Urumqi, capital de Xinjiang, dois meses depois da ocorrência de distúrbios étnicos mortíferos, provocaram na semana passada manifestações dos hans, a etnia majoritária na China, que reclamam uma segurança maior na cidade.

Julgamentos

No primeiro julgamento, realizado neste sábado, Yilipan Yilihamu, estudante de 19 anos, foi declarado culpado por um tribunal da capital da região autônoma de Xinjiang de "agressão com uma substância perigosa".

O acusado, condenado a 15 anos de prisão, teria usado a seringa na nádega de uma mulher em um mercado da cidade em 28 de agosto passado e foi detido pela polícia duas horas depois.

No segundo julgamento realizado, Mututaerjiang Tuerdi, de 34 anos, e Aimanisha Guli, uma mulher de 22 anos, também foram condenados respectivamente a dez e sete anos de prisão.

Os dois ameaçaram com uma seringa em 29 de agosto um taxista e roubaram 710 iyuanes (104 dólares), segundo a televisão oficial CCTV, que transmitiu imagens dos acusados cabisbaixos. A imprensa estrangeira não foi convidada para assistir o julgamento.

As autoridades haviam prometido importantes penas para os autores dos ataques com seringas em caso de injeção com produtos tóxicos.

A polícia de Urumqi indicou que foram mais de 500 ataques desse tipo, mas que, na maioria dos casos, as seringas não continham substâncias nocivas.

O jornal Daily China assinalou que foram registrados ataques com seringas em outras cidades de Xinjiang.

As manifestações da semana passada custaram o cargo ao número um do Partido Comunista em Urumqi, Li Zhi, e do diretor del departamento regional de segurança pública, Liu Yaohua.

Vítimas

Algumas vítimas interrogadas acreditam que os agressores usam seringas em seus ataques porque estas são mais fáceis de transportar do que pedaços de pau ou armas, num momento em que a segurança foi consideravelmente reforçada depois dos distúrbios de julho.

Xinjiang é uma região montanhosa e desértica do noroeste da China com quase 20 milhões de habitantes, dos quais 8,3 milhões são uigures, muçulmanos de língua turca, alguns acusados por Pequim de liderar uma luta separatista.

Mais de 3.000 km ao noroeste de Pequim, na antiga Rota da Seda, esta região de 1,66 milhão de quilômetros quadrados ocupa um sexto do território chinês.

Os moradores de Xinjiang englobam 47 etnias, incluindo os han, de origem chinesa, que passaram de representar apenas 6% da população a 40% com a política de desenvolvimento estimulada por Pequim desde os anos 1990.

Uma parte da província conheceu um breve período de autonomia sob o nome de Turquistão Oriental, entre 1930 e 1949.

As revoltas se intensificaram em 1990, depois da retirada das tropas soviéticas do Afeganistão e da independência das três repúblicas muçulmanas da antiga URSS. Em abril de 1990 explodiram distúrbios perto de Kashgar (oeste), que deixaram 22 mortos oficialmente, e pelo menos 60 segundo fontes ocidentais.

Desde os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, Pequim reforçou a repressão em nome da luta antiterrorista.

Com apoio americano, a China conseguiu fazer com que um movimento uigur - o Movimento Islâmico do Turquistão Oriental (ETIM) - fosse declarado pela ONU uma organização terrorista relacionada à Al-Qaeda.

Segundo Pequim, a região está ameaçada constantemente por terroristas que atuam à distância e do exterior, utilizando a internet.

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