China condena 4 uigures à morte por revoltas étnicas

Pequim, 27 jan (EFE).- A Justiça chinesa condenou quatro uigures à morte pelo envolvimento nas revoltas étnicas de julho passado nas quais morreram quase 200 pessoas na região ocidental chinesa de Xinjiang, elevando para 26 o número total de condenados à pena capital.

EFE |

Segundo informou hoje a publicação "China Review News", que cita as autoridades provinciais, o julgamento ocorreu na segunda-feira.

Além desses quatro condenados, outro réu foi sentenciado à pena de morte com indulto por bom comportamento em dois anos, e outros oito à prisão perpétua.

Os 13 acusados, todos com nomes uigures, foram julgados por crimes violentos, saque e incêndio criminoso durante as revoltas, entre as piores acontecidas na China em décadas.

Segundo relatórios anteriores da agência estatal "Xinhua", do total de 26 condenados à morte (um deles da etnia han), pelo menos nove foram já executados.

A sentença foi pronunciada pelo Tribunal Popular de Urumqi, a capital regional, onde em 5 de julho morreram 196 pessoas e outras 1,6 mil ficaram feridas por grupos de uigures violentos que atacaram chineses da etnia han, segundo fontes oficiais. Dois dias depois, os chineses saíram às ruas para linchar uigures.

Alguns dos membros desta etnia turcomena de religião muçulmana que habita Xinjiang há séculos acusam o Governo comunista de discriminar e exterminar sua cultura mediante o envio em massa de colonos chineses, que já são a metade dos 20 milhões de habitantes da região que eles chamam de Turquestão Oriental.

A região, rica em recursos necessários para a economia chinesa, desfrutou de períodos de autogoverno e protetorados até que foi definitivamente anexada pelas tropas comunistas em 1949.

Grupos de uigures no exílio, que não negam que membros de sua etnia iniciaram a violência, acusam, no entanto o Exército chinês de ter reprimido de forma sangrenta as revoltas, de ocultar os mortos uigures e de realizar prisões e julgamentos sem garantias legais.

No entanto, Pequim acusa esses grupos exilados e seu líder, Rebiya Kadeer, de separatismo e de ter vínculos com o terrorismo islâmico, o que nunca foi provado.

Em dezembro, um grupo de uigures que fugiu da China depois das revoltas e que dizia ter provas que acusavam o Exército no massacre foram repatriados ao país de origem pelo Camboja, em violação a acordos internacionais para refugiados políticos. Não se sabe o paradeiro deles desde que retornaram.

Segundo o diário "China Daily", o Governo de Xinjiang pediu que neste ano se duplique a despesa em segurança pública a até US$ 423 milhões, mais um indício da tensão étnica que se vive na região. EFE mz/sa

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