China comemora ano novo fundindo dança flamenga e ópera tradicional

Paloma Caballero Pequim, 15 fev (EFE).- A dança flamenga do espanhol Jairo Cabral e o grupo chinês Hantang Yuefu Music and Dance Ensemble, criado e dirigido pela taiuanesa Chen Mei, fundem a ópera chinesa e o flamengo puro na celebração do Ano Novo chinês.

EFE |

Essa particular fusão de flamengo e ópera tradicional chinesa pode ser vista na cerimônia oficial em comemoração ao Ano do Tigre, organizado Ministério de Cultura chinês e a rede de televisão "CFTV".

"O flamengo e a ópera são muito antigos, um é a força e o outro a suavidade. Da combinação surge um belo espetáculo", declarou Jairo Cabral, de 19 anos, à Agência Efe. Ele também mencionou a semelhança entre as castanholas e o instrumento de bambu chamado "quatro" que se toca na ópera chinesa.

Tanto para a ópera chinesa quanto para o flamengo, o tempo não passa, destacou Chen. "O importante é aumentar intercâmbios e cooperação com outras culturas e passar para a próxima geração", disse à Agência Efe.

"Para nós é mais fácil se unir ao Ocidente, pois estamos mais acostumados a contatos externos e com Jairo foi muito fácil e harmônico", acrescentou Chen.

Criadora em 1983 da Hantang Yuefu Music and Dance Ensemble, um grupo composto por 10 jovens formadas por ela, 6 como dançarinas e 4 na interpretação de instrumentos tradicionais, Chen convidou a Jairo, formado na escola Flamengo Puro de Jerez (cidade espanhola), a integrar-se em seu quadro clássico.

Com traje antigo de dançarino de flamengo, o jerezano já emocionou nos ensaios preparatórios aos que assistiram à gravação do espetáculo no teatro pequinês Tianqiao pela rede de televisão "CFTV" para seu programa de boas-vindas ao Ano do Tigre.

"Foi uma experiência muito bonita. Identifiquei-me muito bem com o grupo de ópera chinesa clássica. Eu gostaria de levar o espetáculo a Jerez", disse Jairo à Agência Efe em um dos ensaios.

Segundo Esmeralda, sua mãe, que o acompanhou à China, "Jairo tem o dom desde pequeno. Viveu sempre em San Miguel, centro do flamengo puro em Jerez. E, além disso, nossa casa fica em frente à de Lola Flores", insistiu.

A breve viagem a Pequim foi para Jairo uma experiência que qualificou de "fantástica". Para ele, "sempre há alguém mais experiente que você para ensinar", acrescentou o dançarino após a gravação do espetáculo.

Em sua primeira atuação na China, antes esteve em Munique (Alemanha) e Bordeaux (França), a grande surpresa de Jairo foi encontrar um solo plastificado no palco.

"O flamengo precisa de solo de tábuas para arrancar os saltos o verdadeiro som. Compreendo que na China não se saiba. Os saltos representam força, como as castanholas", disse aos organizadores.

O espetáculo "Fusão criativa com flamengo" surgiu da ideia de um grupo de intelectuais chineses que, em colaboração com o Ministério de Cultura da China, desejam atrair mostras artísticas do exterior para exibi-las junto às tradicionais.

Segundo Chen, "a música do sul" ("nan yin") ou ópera, é a mais antiga da China e as danças são as do Palácio Real da dinastia Tang, incluídas na lista de materiais intangíveis culturais patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

"A 'nan yin' existe em Fujian, Taiwan e no sudeste asiático aonde chegaram os fujianeses. Há 400 anos, quando os 'han' chegaram a Taiwan, também levaram a ópera", afirmou Chen, que atuou em 1997 em Madri e em outras cidades espanholas. EFE pc/sa

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