Por Chris Buckley e Emma Graham-Harrison PEQUIM (Reuters) - O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, disse na sexta-feira que os países ricos precisam abandonar seu estilo de vida insustentável para combater a mudança climática e ampliar a ajuda a nações pobres, mais afetadas pelo agravamento das secas e pelo aumento do nível dos mares.

Wen disse na abertura de uma conferência que a crise financeira não é razão para que os países ricos adiem o combate ao aquecimento.

"Conforme a crise financeira global se espalha e piora, e a economia mundial aparentemente se desacelera, a comunidade internacional não deve abandonar sua determinação de lidar com a mudança climática", disse ele, segundo a agência de notícias Xinhua.

O evento, que vai até sábado, se destina a pressionar os países ricos a despejarem dinheiro para que países em desenvolvimento tenham acesso a tecnologias de redução de emissões dos gases do efeito estufa. Autoridades estrangeiras presentes ao encontro, porém, manifestaram dúvidas sobre a proposta chinesa, que deve provocar um debate sobre quem paga qual conta.

Acredita-se que a China já seja o maior emissor mundial de dióxido de carbono, o principal dos gases do efeito estufa, resultante principalmente de fábricas, usinas termoelétricas e carros.

Mesmo assim, Wen jogou o ônus sobre as nações ricas, onde as emissões "per capita" são muito maiores, além de mais antigas.

"Os países desenvolvidos têm o dever e a responsabilidade de combaterem a mudança climática, e devem alterar seu estilo de vida insustentável", disse Wen na conferência.

As autoridades chinesas sugerem que os países ricos destinem até 1 por cento do seu PIB para transferir tecnologias "limpas" para o Terceiro Mundo e para ajudá-lo a superar os efeitos negativos do aquecimento.

Isso significaria 284 bilhões de dólares por ano caso os membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) fizessem pagamentos com base no seu PIB de 2007.

Mais de 190 países participam de negociações preliminares para um novo tratado climático, a ser aprovado no final de 2009 em Copenhague, para entrar em vigor depois de 2012, quando expira o Protocolo de Kyoto.

Ao contrário do atual tratado, o novo deve conter metas de redução de emissões de carbono por parte dos países em desenvolvimento.

Autoridades climáticas presentes em Pequim elogiaram o crescente ativismo chinês nessa questão, mas questionaram sua proposta, especialmente num momento de crise.

"É inegável que a crise financeira terá um impacto sobre as negociações da mudança climática", disse à Reuters Yvo de Boer, diretor do Secretariado de Mudança Climática da ONU.

"Se formos aos cidadãos sob as atuais circunstâncias e dissermos 'Vou aumentar sua carga tributária a fim de pagar pela política climática', isso pode não cair muito bem."

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.