China censura TVs e internet na entrega do Nobel da Paz

Governo interrompe transmissões e bloqueia procura por termos como "cadeira vazia" em sites e redes sociais

iG São Paulo |

A China censurou emissoras de TV e sites nesta sexta-feira, quando o dissidente chinês Liu Xiaobo foi premiado simbolicamente com o Nobel da Paz em Oslo, na Noruega. Preso sob a acusação de "subverter o poder", Xiaobo não foi autorizado a receber a homenagem pessoalmente e foi representado por uma cadeira vazia.

Poucas horas antes da cerimônia, os termos "cadeira vazia" e "Oslo" foram censurados nos sites de busca e redes sociais da China. Quem faz a pesquisa no Renren, equivalente chinês ao Facebook, encontra uma mensagem de "conteúdo proibido". O mesmo ocorre no Netease, um equivalente chinês do Twitter (também censurado na China).

Em protesto, alguns internautas começaram a postar nas redes sociais chinesas fotos de todo tipo de cadeira vazia, numa referência a Liu Xiaobo.

Redes de televisão internacionais como BBC, CNN e TV5 saíram do ar antes da cerimônia. Além da transmissão ter sido interrompida durante toda a homenagem, os sites das emissoras também foram bloqueados. O canal estatal CCTV não fez qualquer menção ao tema.

O governo da China também agiu para deter e restringir liberdades de aliados e simpatizantes do ativista, que cumpre pena de 11 anos de prisão. A ONU diz ter relatos de que o governo chinês deteve pelo menos 20 ativistas, além de tentar impedir o trabalho da mídia ocidental.

Também foram noticiados pelo menos 120 casos de prisão domiciliar, restrições a viagens, cortes de acesso a telefone e internet, realocação forçada de pessoas e outros atos tidos como tentativas de intimidação por parte da China.

Guardas uniformizados e à paisana estão fazendo a guarda da residência da casa do dissidente. A mulher dele, Liu Xia, está em regime de prisão domiciliar.

Manifesto e prisão

Liu Xiaobo, 54 anos, foi preso em dezembro de 2009 devido a sua participação no manifesto Carta 08, que pedia mudanças políticas no país. O manifesto, assinado por 300 acadêmicos, artistas, advogados e ativistas, pedia uma nova Constituição, um poder judiciário independente e liberdade de expressão. Antes disto, o Nobel da Paz já havia sido preso por participação nos famosos protestos da Praça da Praz Celestial em Pequim, em 1989, e por criticar em público o sistema político de partido único chinês.

Esta foi a primeira vez desde 1936 que o prêmio Nobel da Paz, no valor de US$ 1,5 milhão não foi entregue pessoalmente. Segundo o repórter da BBC para assuntos internacionais, Mike Wooldridge, o comitê do Nobel pretende enviar uma mensagem à China - de que o país, apesar do seu crescente poder econômico e político, não pode abandonar os direitos humanos.

Por outro lado, a China afirma que o comitê escolheu dar o prêmio a um criminoso condenado pela lei chinesa somente para servir aos interesses de alguns países ocidentais.

Com BBC e AFP

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