China censura anúncio que mostra beijo de Hu Jintao e Obama

Polêmica foto de campanha da Benetton não é encontrada no principal buscador chinês e foi ignorada por imprensa oficial

iG São Paulo |

A China agiu para dificultar o acesso da população a um anúncio da empresa italiana Benetton que mostra uma fotomontagem do presidente chinês, Hu Jintao, beijando o líder dos Estados Unidos, Barack Obama. De acordo com a agência EFE, buscadores e redes sociais foram censuradas pelo governo.

No site Badoo, o buscador mais usado na China, uma busca pelas palabras "Obama", "Hu Jintao" e "beijo" não resulta em links para a imagem do anúncio. Além disso, um aviso na parte superior da tela afirma que alguns conteúdos não podem ser exibidos por questões legais.

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No entanto, ainda é possível ver os anúncios pelo site da Benetton ou fazendo uma busca pelo Google, que na China usa sua versão de Hong Kong, menos sujeita à censura.

No Wiebo, a rede social mais usada na China, comentários sobre a foto foram apagados, de acordo com a EFE. Também não é possível encontrar informações sobre a imagem nos principais meios de comunicação oficiais em inglês, como a agência Xinhua, o jornal China Daily ou o nacionalista Global Times.

Fontes da Administração Estatal de Cinema, Rádio e Televisão, um dos órgãos responsáveis pela censura nos meios de comunicação, não quiseram sobre o caso, mas disseram que são proibidos em território chinês anúncios que passem "uma imagem negativa".

As autoridades acrescentaram que para uma campanha ser proibida seria necessário que um grupo de cidadãos chineses a denunciasse por considerá-la de mau gosto.

O governo dos EUA também criticou a campanha publicitária , na qual Obama também aparece beijando o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. "A Casa Branca tem uma política de longa data de desaprovar a utilização do nome do presidente e sua imagem com fins comerciais", afirmou o porta-voz Eric Schultz.

A campanha controversa desatou protestos do Vaticano por causa de outra foto, em que o papa Bento 16 aparece beijando Ahmed Mohamed el-Tayeb, imã sunita da mesquita de Al-Azhar, no Cairo. O Vaticano anunciou que entrará com ações legais contra a distribuição, mesmo na mídia, da campanha.

A empresa disse que a campanha tinha o objetivo de fomentar a tolerância. "Lembramos que o sentido dessa campanha era exclusivamente combater a cultura do ódio sob todas as formas", comentou, em comunicado, um porta-voz do grupo.

Na quarta-feira, a Benetton informou ter retirado a foto do pontífice da campanha , mas a imagem continua circulando em fóruns na internet. A empresa multinacional do setor de confecções publicou as fotos como parte de uma campanha denominada UNHATE (não odeie, em tradução livre), que mostra personalidades com posturas ideológicas e políticas radicamente contrárias beijando-se.

Além das montagens de Obama e do papa, a campanha mostra beijos entre o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, e entre o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Reprodução
Anúncio mostra papa Bento 16 "beijando" Ahmed Mohamed el-Tayeb, imã da mesquita de Al-Azhar, no Cairo

Com EFE

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