Pequim, 5 ago (EFE).- A apenas três dias dos Jogos Olímpicos, as autoridades chinesas aumentaram nesta terça as medidas de segurança em Pequim e em Xinjiang (noroeste da China), onde 16 policiais morreram na segunda-feira em um atentado supostamente realizado por um taxista e um vendedor de verduras da etnia uigur.

Os dois detidos, cujos nomes não foram informados, têm 28 e 33 anos, são moradores da cidade de Kashgar (onde aconteceu o ataque) e tinham em seu poder uma pistola de fabricação caseira e outros nove explosivos, informou a Administração de Segurança Pública de Xinjiang citada pela agência oficial "Xinhua".

Segundo a fonte, os explosivos encontrados são similares aos que foram confiscados em janeiro de 2007 durante uma operação antiterrorista na qual forças de segurança de Xinjiang mataram 19 supostos terroristas uigures.

Naquela oportunidade, Pequim disse que o grupo desmantelado pertencia à organização Movimento Islâmico do Turquestão Oriental (Etim), que o Exército chinês classificou na última semana de principal ameaça terrorista aos Jogos Olímpicos de Pequim, que terão início na próxima sexta.

Apesar disto, o porta-voz do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Pequim (Bocog, em inglês), Sun Weide, pediu hoje que não haja alarde pelos incidentes de ontem e garantiu aos atletas e visitantes estrangeiros presentes ao evento que as medidas de segurança permitirão a realização de Jogos Olímpicos pacíficos.

"Podemos garantir Jogos Olímpicos seguros e pacíficos", declarou Sun em entrevista coletiva.

Enquanto isto, o site oficial do Governo de Xinjiang informou hoje sobre o aumento das medidas de segurança - nos ônibus públicos da capital regional, Urumqi, foram colocados policiais armados, pelo menos um por veículo.

Os policiais dispõem de gás lacrimogêneo e podem revistar passageiros se considerarem necessário, declarou o site.

O zelo pela segurança em Xinjiang gerou incidentes entre a Polícia e paramilitares chineses, de um lado, e jornalistas estrangeiros que tentavam cobrir o ataque em Kashgar, de outro. Dois jornalistas japoneses e outro da agência "AFP" foram agredidos, e parte de seu material foi destruído, denunciaram os repórteres.

A segurança também aumentou em Pequim, onde nesta segunda aconteceram confrontos entre a Polícia e manifestantes perto da Praça da Paz Celestial. A partir de agora os jornalistas que quiserem realizar entrevistas na praça serão escoltados e só poderão chegar ao local pelo lado leste, informam autoridades da cidade.

A Polícia de Pequim tentou hoje minimizar a importância do incidente com os manifestantes - que protestavam pelo desalojamento de suas casas nos últimos anos - indicando que não usaram violência contra eles.

Em Xinjiang, região habitada por povos de religião muçulmana cercado pelos da Ásia Central, agem grupos que reivindicam um Turquestão Oriental independente e que, segundo o Governo chinês, são algumas das principais ameaças para a segurança dos Jogos Olímpicos de Pequim.

No final de julho, o autoproclamado Partido Islâmico do Turquestão assumiu em um vídeo a autoria de cinco atentados cometidos nos últimos meses na China - entre eles dois contra ônibus públicos - e ameaçou os Jogos Olímpicos, embora as autoridades chinesas não tenham dado muita credibilidade às ameaças.

No dia primeiro de agosto as autoridades chinesas reconheceram que as sabotagens de grupos terroristas uigures, etnia majoritária em Xinjiang, são mínimas.

Já grupos de defesa dos direitos humanos como a Anistia Internacional (AI) e os uigures exilados acusaram no passado a China de usar a guerra o terrorismo islâmico na região para aumentar a repressão à população muçulmana.

Porta-vozes uigures no exílio citados hoje pelo jornal "South China Morning Post" negaram relação de grupos separatistas com o incidente na delegacia fronteiriça.

"Não acho que se trate de complô terrorista", declarou Dilxadi Rexiti, porta-voz no exílio do Centro de Informação do Turquestão Oriental, ao se referir ao ataque. EFE abc/fh/fal

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