A China anunciou nesta quarta-feira que aumentará o orçamento militar em 14,8% em 2009, apesar da crise econômica, mas o dinheiro que Pequim destina à defesa continua bem longe da verba dos Estados Unidos, a maior potência militar mundial.

Os gastos militares do gigante asiático chegarão a 480,68 bilhões de yuanes (70,2 bilhões de dólares), o que representa 6,3% do orçamento geral, informou o porta-voz do Parlamento, Li Zhaoxing, para quem esta é uma alta modesta.

Ano passado, o orçamento militar chinês teve um aumento de 17,6% em relação a 2007.

A título de comparação, o orçamento militar americano é de 533,7 bilhões de dólares para o ano fiscal de 2010, o que representa uma alta de 4% em relação aos US$ 513,3 bilhões de 2009.

"Este ano, o orçamento militar aumentará modestamente", declarou o porta-voz, um dia antes da abertura da sessão anual do Parlamento chinês, a Assembleia Nacional Popular.

"Era possível esperar que com a desaceleração econômica, o ritmo de progressão (dos gastos militares) também registrasse uma desaceleração, como vimos nos Estados Unidos", opinou à AFP Ralph Cossa, presidente do Fórum do Pacífico dentro do Centro de Estudos Internacionais e Estratégicos.

Os gastos serão destinados principalmente à modernização das Forças Armadas e à melhoria do nível de vida dos soldados, completou Zhaoxing.

Li Zhaoxing, ex-ministro das Relações Exteriores, destacou que o Exército chinês não constitui nenhuma ameaça para países estrangeiros, porque a China "segue firmemente o caminho do desenvolvimento pacífico e a China não tem gastos militares ocultos".

O Exército Popular de Libertação é, em números, o maior do planeta com, oficialmente, 2,3 milhões de soldados, segundo dados de 2006.

O governo dos Estados Unidos critica com frequência o orçamento de defesa chinês, por considerá-lo pouco transparente, além de afirmar que as ambições militares chinesas representam uma ameaça potencial para a segurança da região.

O porta-voz do Parlamento afirmou que os gastos militares representam apenas 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB), contra uma "média de mais de 4% nos Estados Unidos e mais de 2% em países como Grã-Bretanha e França".

"Se comparamos com os outros países do mundo, podemos dizer que os gastos militares chineses são relativamente pouco elevados", afirmou, ao lembrar o tamanho e a população do país: 1,3 bilhão de habitantes.

Mas alguns analistas acreditam que o número oficial chinês não reflete a realidade.

"A estimativa do verdadeiro orçamento é três vezes ou quatro vezes maior. Porém, quando a China desenvolve mísseis ou foguetes, não sabemos se o custo está incluído no orçamento", explica Cossa.

"A verdadeira questão é saber para onde vai o desenvolvimento militar da China", conclui.

frb/fp

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.