Pequim, 21 mai (EFE).- No último dos três dias de luto nos quais o povo chinês presta homenagem aos mortos de Sichuan, Governo e população começam a olhar para o futuro e a pensar na reconstrução dos locais devastados pelo terremoto, hoje um mar de tendas de campanha que cobrem quase cinco milhões de desabrigados.

O Escritório de Informação do Conselho de Estado chinês cifrou hoje em 41.353 os mortos em virtude do terremoto, com 32.666 desaparecidos e 274.683 feridos.

Até o momento, lonas e paus se transformaram nos objetos mais cobiçados pelas equipes de resgate e salvamento, empenhados em dar abrigo a uma massa desordenada de sobreviventes que emigra toda vez que uma nova réplica do tremor é sentida.

As autoridades solicitaram com urgência três milhões de tendas para cobrir suas necessidades de realojamento, e mais 250 mil barracões portáteis, prometidos pelo Governo para antes de 30 de junho, com o objetivo de aumentar o número para 1 milhão em um prazo de três meses.

Nada se pode fazer pelos 5,36 milhões de edifícios que se transformaram em escombros e que em alguns casos, como o do distrito de Bei Chuan, onde morreram mais de 8.600 pessoas, forçarão uma reconstrução do povoado em um local diferente.

Segundo informou hoje a agência estatal "Xinhua", 70% dos edifícios de Bei Chuan (cidade situada a 70 quilômetros do epicentro do terremoto), vieram abaixo com o terremoto, e mesmo os imóveis que permaneceram de pé foram afetados pela catástrofe, e ainda correm riscos.

Sob os escombros, jaz também a economia das regiões afetadas pelo terremoto, com US$ 9,626 bilhões em perdas estimadas, segundo números do Ministério de Indústria e Tecnologia da Informação.

Mais preocupante, no entanto, é a situação das famílias que perderam tudo. O Banco Popular da China (BPC, banco central chinês) solicitou às entidades bancárias chinesas que dêem apoio financeiro aos trabalhos de reconstrução, permitam empréstimos e evitem impor multas aos que ficaram sem esperança após a catástrofe.

Contudo, como destacam as edições de hoje dos jornais locais, a China acredita que pode reverter a situação, com base em sua força econômica e nos US$ 2,29 bilhões recebidos em doações.

Enquanto assenta as bases para enfrentar os trabalhos de reconstrução previstos para os próximos meses, o Governo segue concentrado nos trabalhos de curto prazo, que passam pelo realojamento dos desabrigados, pela conclusão da retirada dos cadáveres dos escombros e pelo combate às epidemias, complicadas nas últimas horas com a volta das chuvas.

As equipes médicas e 3.500 especialistas trabalham duro para evitar qualquer epidemia derivada da gangrena gasosa, infecção que pode resultar em morte, após detectar 58 casos que resultaram em 30 amputações.

Em meio às chuvas, às bandeiras hasteadas a meio mastro e ao temor perante novas réplicas, os cientistas chineses continuam estudando as condições que propiciaram o trágico tremor.

Ji Shaocheng, especialista em Geofísica da Universidade de Montreal (Canadá), afirmou que a região de Sichuan é atingida por um grande terremoto, como o da semana passada, a cada 150 anos.

"Nos últimos 400 anos, foram registrados lá ao menos nove tremores de mais de 6,5 graus, o último deles em 1976", explicou.

Em artigo publicado hoje pela imprensa oficial chinesa, o especialista assinalou ainda que em Sichuan se encontra a falha da montanha de Longmen, foco do movimento telúrico situado junto ao altiplano de Qingzang, um acidente resultante do choque das placas tectônicas indiana e euroasiática. EFE pa/fh/gs

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