China aponta sinalização como causa de acidente com trens-bala

Defeitos após raio impediram que sinal passasse do verde ao vermelho, causando choque que deixou 39 mortos e 192 feridos

iG São Paulo |

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Colisão entre dois trens de alta velocidade deixou 39 mortos na China (24/07)
O acidente envolvendo dois trens que deixou 39 mortos e 192 feridos em 23 de julho na Província de Zhejiang, no leste da China, deve ter sido provocado por defeitos na sinalização ferroviária após ela ser atingida por um raio, disse nesta quinta-feira o Bureau Ferroviário de Xangai, citado pela agência oficial Xinhua (Nova China). Anteriormente, havia informações de que acidente deixou 43 mortos .

O sistema de sinalização "não pôde passar do sinal verde ao vermelho", o que provocou a catástrofe ferroviária que quebrou a confiança na rede de trens chineses de alta velocidade, disse An Lusheng, chefe do Bureau Ferroviário. Também houve falhas das equipes da linha para verificar que algo estava errado, relatou a Xinhua.

O choque ocorreu entre dois trens, um parado por falta de corrente elétrica por causa de um apagão causado por um raio, e outro que seguia pela mesma linha. O acidente aconteceu nas proximidades da cidade de Wenzhou, na Província de Zhejiang, no leste do país.

Após a declaração, o Instituto de Pesquisa Nacional Ferroviária de Pequim e de Projeção de Sinalização e Comunicação assumiu a responsabilidade pela falha no equipamento de sinalização. Em um raro reconhecimento de responsabilidade pelo desastre, o instituto emitiu um comunicado de desculpas.

O instituto "levanta a cabeça para assumir a responsabilidade e aceitar qualquer punição devida, e estritamente se encarregará de buscar a culpabilidade dos responsáveis", afirmou o comunicado, segundo a Xinhua.

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, ordenou nesta quinta-feira uma investigação "aberta e transparente" sobre a causa do choque frontal entre os dois trens de alta velocidade quando circulavam sobre um viaduto, o que levou à queda da locomotiva e de dois vagões de um deles. Fotos postadas em sites chineses e em microblogs mostram vagões pendurados a uma altura de 20 metros.

Wen visitou o local do acidente e prometeu uma investigação ampla e transparente. Ele disse que uma doença o havia impedido de visitar o local mais cedo. O premiê, que tem 68 anos e se aposentará no próximo ano, afirmou que não havia ido ao local antes por motivos de doença, sem dar detalhes.

Segundo o premiê, as exportações chinesas vinculadas à alta tecnologia ferroviária devem ser mais eficazes e seguras. "A construção de ferrovias de alta velocidade na China devem levar em conta a velocidade, a qualidade, a eficácia e a segurança. E a segurança deve ser prioritária", afirmou Wen. "Temos de conseguir progressos tecnológicos e trabalhar muito para transferir tecnologia com maior segurança", acrescentou.

Companhias chinesas atuam na construção de linhas de alta velocidade na Venezuela, Turquia e Arábia Saudita. Além disso, a companhia chinesa CSR assinou um acordo em dezembro com a General Electric para fabricar trens-bala nos Estados Unidos.

Ampliação da rede ferroviária

A catástrofe de Wenzhou alimenta as dúvidas sobre a segurança dos trens de alta velocidade na China, que nos últimos anos se desenvolveram rapidamente. A China está investindo bilhões de dólares na construção de malha ferroviária.

AP
Trem passa por viaduto de onde vagões caíram após acidente no sábado na região de Wenzhou, na China
Recentemente, em 30 de junho, Wen inaugurou oficialmente uma linha de alta velocidade com custo avaliado em US$ 33 bilhões entre Pequim e Xangai, que reduziu o tempo de viagem entre as duas cidades para menos de cinco horas.

Temendo perder clientes, algumas companhias aéreas diminuíram os preços em até 65%, o que faz com que viajar de avião agora seja mais barato que viajar de trem, segundo a imprensa chinesa. O novo percurso foi inaugurado em 1º de julho para celebrar o 90º aniversário do Partido Comunista da China, e esperava-se que 80 milhões de passageiros passassem a utilizar por ano a nova linha ferroviária.

Contudo, a nova linha Pequim-Xangai tem sofrido problemas causados por falta de energia e tem sido criticada pela imprensa chinesa. Além disso, os grandes investimentos transformaram o setor em foco de corrupção. Segundo uma auditoria estatal, pessoas ligadas à direção das construtoras desviaram no ano passado 187 milhões de iuanes (US$ 29 milhões) na linha projetada entre Pequim e Xangai.

Em abril de 2008, 72 pessoas foram mortas e mais de 400 ficaram feridas quando um trem descarrilou e foi atingido por um segundo trem na Província de Shandong.

*Com AFP, EFE e Reuters

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