China anuncia manobras no Pacífico após aumento de tensão com EUA

Anúncio é feito após o presidente americano divulgar no dia 16 que Washington aumentará a presença militar na Austrália

EFE |

AP
Obama acena ao lado da premiê australiana, Julia Gillard, em Camberra, na Austrália em 16/11
O Ministério da Defesa da China anunciou nesta quinta-feira a realização de exercícios militares navais em águas do Oceano Pacífico nos próximos dias, após o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, divulgar no dia 16 o aumento da presença militar americana na Austrália , o que irritou as autoridades de Pequim.

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Em um breve comunicado, o ministério chinês esclareceu que os exercícios anunciados serão manobras de rotina, "não dirigidas contra nenhum país ou alvo em particular", mas os analistas destacam a coincidência temporal dessas ações com as crescentes tensões da China com os EUA.

O Ministério da Defesa chinês não especificou o local exato das manobras nem quantos navios participarão. A emissora de televisão japonesa NHK informou que seis navios da Marinha chinesa, entre eles um destróier antimísseis, foram detectados perto das ilhas de Okinawa, em direção ao Pacífico.

"Pequim está muito descontente por ver os EUA envolvidos nas disputas territoriais no Mar da China Meridional, desafiando nossa soberania territorial em aliança com o Vietnã e Filipinas", comentou ao jornal South China Morning Post o analista chinês em assuntos militares Ni Lexiong.

Na semana passada, Obama realizou uma longa viagem pelo Pacífico , que incluiu sua participação em duas cúpulas - a da Apec, no Havaí, e a da Ásia Oriental, em Bali -, onde aproveitou para dizer que as missões americanas seriam uma prioridade na política de defesa do Pentágono.

Na Austrália, uma das escalas da viagem, Obama anunciou que 2,5 mil marines (fuzileiros navais) americanos seriam destacados ao norte do país para ampliar a presença estratégica dos EUA no Pacífico ocidental.

O anúncio motivou críticas da China, que classificou a medida como inoportuna, num momento em que, segundo Pequim, todos os países devem trabalhar juntos para sair da crise econômica .

O Mar da China Meridional, principal foco de tensões na região, abriga as ilhas Spratly e Paracel, reivindicadas pela China e outros países da área, junto ao que se acredita ser uma das maiores reservas mundiais de petróleo, ainda não exploradas.

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Filipinas e Vietnã, outros dois países que reivindicam parte desses arquipélagos, acusaram a China neste ano de aumentar as hostilidades na região.

A China acusa os EUA de manter uma "mentalidade da Guerra Fria" e pede às partes em conflito no Mar da China Meridional que negociem diretamente com Pequim, sem internacionalizar a questão, o que não impediu que o assunto fosse levado por Obama à mesa multilateral de Bali na semana passada, na Cúpula da Ásia Oriental.

O ministro das Relações Exteriores chinês, Yang Jiechi, reuniu-se na quarta-feira com a subsecretária de Estado americana, Wendy Sherman, a quem pediu que os dois países "devolvam as relações bilaterais ao caminho correto". "China e EUA devem respeitar mutuamente seus respectivos interesses e lidar adequadamente com assuntos sensíveis", destacou.

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