China ameaça Suíça por receber presos uigures de Guantánamo

O governo chinês afirmou nesta quinta-feira que as relações com a Suíça serão afetadas pelo país ter aceitado receber presos uigures que estavam em Guantánamo, aos que o regime de Pequim acusa de terrorismo.

EFE |

"A decisão da Suíça afetará as relações com a China", respondeu nesta quinta-feira, em entrevista coletiva, o porta-voz de turno do Ministério de Assuntos Exteriores, Ma Zhaoxu, à pergunta se o asilo concedido aos uigures afetará o Tratado de Livre-Comércio (TLC) entre os dois países.

"Quanto ao impacto nas negociações para o TLC bilateral, a delegação chinesa deixou clara sua postura na primeira reunião do grupo de trabalho", acrescentou o porta-voz chinês.

Segundo Pequim, os dois ex-presidiários pertenciam a "a organização terrorista Movimento Islâmico do Turquestão Oriental" (Etim, na sigla em inglês), um grupo que a China incluiu na lista de terroristas internacionais da ONU após os atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York.

Pequim já tinha advertido que qualquer país que aceitasse receber os suspeitos de Guantánamo teria as relações bilaterais prejudicadas.

O governo suíço explicou ontem que recebeu os dois ex-prisioneiros por razões humanitárias, pelo fato de estarem retidos em Guantánamo sem serem acusados ou condenação e não representam risco à segurança, segundo os relatórios.

Além disso, se comprometeram a aprender francês e a integrar-se profissionalmente.

Pequim sustenta que os membros da minoria étnica uigur, que moram na região ocidental chinesa de Xinjiang (Turquestão Oriental para os uigures) há séculos, mantêm vínculos com células terroristas internacionais, um acusação que nunca foi provada.

Em julho passado, esta etnia, que diz ser discriminada e perseguida pelo regime chinês, entrou em conflito contra os colonos chineses em Xinjiang, que deixaram quase 200 mortos e milhares de feridos, e dois dias depois os colonos saíram às ruas para linchar os uigures diante da passividade do Exército chinês.

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