China alerta que relatório militar dos EUA ameaça relações

Ministério da Defesa critica documento em que Pentágono diz que Pequim vem ampliando sua vantagem militar sobre Taiwan

Reuters |

O governo da China criticou nesta quarta-feira um relatório dos EUA sobre as capacidades militares chinesas, dizendo tratar-se de um ataque tendencioso que "ignora dados objetivos" e ameaça prejudicar as já abaladas relações militares entre os dois países.

O Pentágono disse na segunda-feira que Pequim vem ampliando sua vantagem militar sobre Taiwan por meio de medidas como o incremento da letalidade de seus mísseis balísticos de curto alcance, ao mesmo tempo em que cria o risco de "desentendimentos e erros de cálculo."

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Policial paramilitar observa Praça da Paz Celestial em Pequim, China (17/08/2010)
O porta-voz do Ministério da Defesa chinês, Geng Yansheng, disse que o relatório do Pentágono confere um tom injustificadamente sinistro a um incremento normal de potência militar e exagera "as chamadas 'ameaças militares'" da China em relação a Taiwan, a ilha autônoma que a China considera parte de seu território.

"A publicação desse relatório pelos EUA não é benéfica para a melhora e o desenvolvimento dos laços militares sino-americanos", disse Geng ao site na Internet do Ministério da Defesa (www.mod.gov.cn).

"O desenvolvimento militar da China é razoável e apropriado, tendo por objetivo a defesa da soberania e segurança nacional e da integridade territorial, além de manter-se a par da tendência mundial de transformação e desenvolvimento militares acelerados."

O relatório anual apresentado ao Congresso pelo Departamento de Defesa dos EUA chegou em um momento difícil, depois de um enfrentamento sobre o Mar do Sul da China ter agravado os laços militares entre EUA e China, já tensos.

Desentendimentos em torno de questões que vão desde a liberdade na internet até o dalai-lama tensionaram as relações sino-americanas no início do ano, e um contrato de venda de armas ao Taiwan no valor de US$ 6,4 bilhões foi um fator de irritação especial. Pequim vê Taiwan como província chinesa renegada, a ser reunificada com a China pela força, se for preciso.

Desde então, as relações militares entre EUA e China têm estado geladas, e as tensões foram agravadas ainda mais pelos recentes exercícios navais conjuntos EUA-Coreia do Sul em águas ao largo da costa da China.

O chefe do Comando Militar Pacífico dos EUA disse em Manila nesta quarta-feira que a assertividade chinesa no Mar do Sul da China vem suscitando preocupações na região e que os EUA vão trabalhar no sentido de garantir a segurança e proteger rotas comerciais importantes.

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