China alerta EUA sobre estratégia militar na Ásia

Mídia chinesa adverte contra 'demonstrações de força' após Washington revelar estratégia de Defesa voltada à Ásia e Pacífico

iG São Paulo |

A mídia estatal da China alertou os EUA contra "demonstrações de força" depois que Washington revelou em uma revisão de Defesa que darão ênfase à região da Ásia-Pacífico.

Nova estratégia: Obama anuncia Exército mais enxuto e barato, com ênfase na Ásia

Em um editorial, a agência de notíciais oficial Xinhua (Nova China) disse que a medida do presidente Barack Obama de aumentar a presença dos EUA na área ajudar a assegurar o "ambiente pacífico" de que o país precisa para continuar seu desenvolvimento econômico. Mas também afirmou que qualquer militarismo americano poderia "pôr a paz em risco".

"Ao aumentar sua presença militar na Ásia-Pacífico, os EUA devem se abster de fazer demonstrações de força, já que isso não ajudará a resolver disputas regionais. Se os EUA indiscretamente recorrerem ao militarismo na região, serão um touro em uma loja chinesa, e porão a paz em risco em vez de melhorar a estabilidade regional."

Já o tabloide chinês Global Times disse que Washington não poderia deter a ascensão da China, conclamando Pequim a desenvolver mais armas de combate de longo alcance para deter a Marinha dos EUA.

O jornal, que pertence ao Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista chinês, também afirmou que a China não deve se intimidar com a maior presença militar dos EUA na Ásia, dizendo que o país "pagará o preço" se recuar para agradar a Washington. "É claro que queremos evitar uma nova Guerra Fria com os EUA, mas ao mesmo tempo não devemos abrir mão da presença de segurança da China na região vizinha", disse.

O Global Times tem uma inclinação nacionalista, e seus comentários não necessariamente refletem as posições do governo. Os Ministérios da Defesa e Relações Exteriores não se pronunciaram sobre a nova política estratégica dos EUA.

A nova estratégia de defesa dos EUA, anunciada oficialmente na quinta-feira por Obama, prevê uma redução no tamanho e no orçamento das suas forças militares, mas uma maior presença na Ásia. Pequim teme que o objetivo de Washington seja cercar a China e conter seu crescente poderio.

O governo está na fase final de decidir sobre cortes específicos no Orçamento de 2013, que Obama apresentará ao Congresso no próximo mês. A estratégia prevê acomodar cerca de US$ 489 bilhões em cortes de Defesa durante os próximos dez anos, como pedido em um acordo orçamentário com o Congresso em julho de 2011. Um corte adicional de US$ 500 bilhões será pedido para começar a vigorar a partir janeiro de 2013.

Nova estratégia

Ao apresentar a nova política militar dos EUA, que reflete uma menor ênfase nos conflitos do Iraque e Afeganistão , Obama disse que "a maré da guerra está recuando", enquanto o secretário americano de Defesa, Leon Panetta, afirmou que as Forças Armadas precisam ser "menores e mais enxutas".

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Fontes oficiais preveem uma redução de 10% a 15% nos contingentes do Exército e do corpo de Marines na próxima década. Em um ano de eleição presidencial , a estratégia dá a Obama um instrumento de retórica para defender suas escolhas pelos cortes orçamentários no Pentágono. Os pré-candidatos republicanos para a Casa Branca já criticaram Obama em uma ampla gama de questões de segurança nacional, incluindo defesa de mísseis, o Irã e as reduções planejadas no números de forças terrestres.

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Os EUA dizem que pretendem colaborar com a China na busca por prosperidade e segurança na região, mas que continuarão tratando de questões de segurança como o controle do mar do Sul da China, por onde circula um comércio anual de US$ 5 trilhões. Há disputas territoriais envolvendo China, Taiwan, Filipinas, Malásia, Vietnã e Brunei na região.

A China é uma preocupação particular por causa de seu dinamismo econômico e pelo rápido crescimento em defesa. Uma questão mais imediata é o Irã, não apenas por suas ameaças de interromper o fluxo internacional do petróleo , mas também por suas ambições nucleares .

Um oficial chinês da reserva disse, pedindo anonimato, que Pequim não se deixará intimidar pela nova estratégia americana. "Todos sabemos que a mudança na estratégia dos EUA não é um fato repentino", disse. "O lado chinês não verá isso como um desafio aberto. Nossa postura é sempre defensiva. Se não houver um ataque direto contra nós, não mudaremos nossa estratégia. A China não procura fazer novos inimigos."

*Com Reuters, BBC e AP

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