China adota medida para garantir qualidade do leite

O governo chinês anunciou nesta quarta-feira que irá unificar o sistema de controle de qualidade dos laticínios para garantir a boa qualidade dos produtos. A decisão é uma tentativa de recuperar a credibilidade dos produtos feitos no país após o escândalo do leite contaminado por melamina, que alcançou proporções internacionais.

BBC Brasil |

Trata-se de mais uma das medidas adotadas pelo governo para tentar restaurar a confiança nos laticínios chineses. No entanto, a cada dia novos casos de bebês intoxicados e de produtos considerados inapropriados para o consumo são reportados.

Além disso, organizações não governamentais como a Repórteres Sem Fronteiras, acusam as lideranças chinesas de ter abafado o escândalo para não atrapalhar os Jogos Olímpicos de Pequim.

Sistema único
De acordo matéria publicada nesta quarta-feira pelo jornal estatal China Daily, o ministério da Agricultura vai trabalhar em conjunto com o departamento de Inspeção e Quarentena para estabelecer um sistema de controle unificado.

"Um sistema de supervisão em longo prazo será estabelecido para cobrir todas as estações de coleta", afirmou o ministro da Agricultura Sun Zhengcai.

"Vamos investigar cada estação de coleta de leite e erradicar a prática de adicionar melamina ao produto", prometeu Sun.

Segundo a imprensa estatal, os últimos testes feitos pelo governo cobrem 70% de todos os produtos no mercado e mais de 87% dessas amostras não apresentaram níveis nocivos de melamina.

De acordo com o julgamento das autoridades chinesas, a maioria dos produtos é considerada "segura".

O governo da cidade de Shijiazhuang, província de Hebei, onde o escândalo começou, afirmou, em declarações publicadas nesta quarta-feira, que "tem um grande senso de culpa e lamenta" pelos milhares de bebês intoxicados.

'Recall'
Ao mesmo tempo em que as autoridades tentam acalmar os consumidores e refazer a sua imagem, novos recalls de produtos ainda são anunciados.

Nesta quarta-feira, a imprensa de Hong Kong publicou anúncios da multinacional Unilever alertando para a retirada das prateleiras de três produtos da linha de chás Lipton que continham leite em pó na sua formulação.

Biscoitos da marca Ritz, fabricados pela Nabisco-Kraft Foods na China, também tiveram a comercialização suspensa depois que testes feitos pelo governo da Coréia do Sul apontaram uma concentração de melamina de 2.23 ppm (partículas por milhão).

Não consta no comunicado das empresas que qualquer desses produtos possa ter sido exportado ao Brasil.

Outras marcas de bolachas produzidas e consumidas localmente também tiraram de circulação seus produtos nesta quarta-feira, depois que ficou comprovado que continham melamina.

Esses são apenas os mais recentes casos de recall em uma lista que já inclui produtos de outras marcas internacionais prestigiadas como chocolates Cadbury, M&M, Snickers e biscoito Oreo, que foram retirados dos mercados de Hong Kong, Taiwan, Austrália e Indonésia respectivamente.

Censura
A organização não governamental Repórteres Sem Fronteiras, RSF, acusou o governo da China de ter censurado, em junho, investigações jornalísticas sobre o caso de contaminação do leite para evitar notícias negativas às vésperas dos Jogos Olímpicos.

"Está se tornando cada vez mais óbvio que em julho, as autoridades proibiram que uma investigação sobre o leite tóxico emergisse para não manchar a imagem da China antes da Olimpíada", afirmou a ONG em declaração divulgada na terça-feira.

"Nós clamamos pelo fim da censura no escândalo do leite. Sem isso a credibilidade das promessas de transparência do governo será manchada de novo", protestou a RSF.

A imprensa da China tem publicado inúmeras matérias sobre o escândalo, mas a maior parte da cobertura se restringe a repassar as informações que foram previamente divulgadas pela agência de notícias estatal Xinhua.

Ainda segundo a RSF, a censura é deliberada, pois o ministério de Propaganda emitiu uma diretriz em 12 de setembro afirmando que é "do próprio interesse da imprensa nacional limitar" a publicação de artigos sobre o escândalo que causou a morte de pelo menos quatro bebês e deixou mais de 53 mil crianças doentes.

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