O governo chinês admitiu que problemas na construção das escolas destruídas pelo terremoto que atingiu a província de Sichuan podem ter contribuído para o colapso dos prédios. A declaração foi feita nesta quinta-feira pelo diretor do Comitê Nacional de Especialistas que investiga os tremores, Ma Zongjin, durante uma entrevista coletiva em Pequim.

"As estruturas não eram necessariamente razoáveis, e os materiais talvez não eram fortes o suficiente", disse. "Ambos (os defeitos) são possibilidades."
"Provavelmente havia problemas de construção porque temos construído escolas rapidamente", acrescentou o representante do governo chinês.

Apesar disso, Ma Zongjin afirmou que algumas escolas teriam desmoronado de qualquer forma por causa da força da magnitude do tremor, que atingiu 7,8 graus na escala Richter.

Milhares de estudantes estavam entre as quase 90 mil pessoas que morreram ou permanecem desaparecidas depois que o terremoto atingiu a província, no dia 12 de maio.

Raiva
Os pais dos alunos exigiram uma explicação sobre o motivo por que tantas escolas desmoronaram e querem que os responsáveis sejam punidos.

Engenheiros independentes e algumas autoridades locais já haviam afirmado que o desmoronamento das escolas era conseqüência da construção precária dos prédios.

As escolas parecem ter desmoronado mais facilmente que outros prédios durante o terremoto, que deixou 5 milhões de desabrigados.

Em algumas áreas, as instituições de ensino, como a escola primária Dujianyan's Xinjian, foram as únicas construções a desmoronar durante os tremores.

Desde o início das investigações, os pais dos alunos que perderam a vida no terremoto quiseram saber porque as escolas desmoronaram dessa forma.

Investigação
O governo prometeu uma investigação, mas ao mesmo tempo pressionou os pais dos alunos para que guardassem o sofrimento e a raiva para si.

Agora, ao afirmar que a precariedade das construções e a má qualidade dos materiais podem ter contribuído para o desmoronamento das escolas, Ma Zongjin reforça os maiores receios dos pais.

A investigação ainda vai prosseguir, mas o representante do governo chinês já reduziu as expectativas de que a sindicância possa levar à punição dos responsáveis.

Segundo Ma Zongjin, o objetivo da investigação é garantir que novas escolas sejam construídas de forma apropriada.

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