O governo chinês acusou hoje forças tibetanas de independência de planejarem o uso de grupos suicidas para promover violentos atentados. Mas o primeiro-ministro do governo tibetano no exílio, Samdhong Rinpoche, rechaçou imediatamente a acusação e afirmou que os tibetanos estão comprometidos com o caminho da não-violência.

A denúncia de Pequim é a mais recente de uma série de acusações feitas pelas autoridades chinesas contra o dalai-lama e seus seguidores.

"Pelo que sabemos, o próximo plano das forças tibetanas de independência é a organização de esquadrões suicidas para lançar ataques violentos", declarou o porta-voz do Ministério de Segurança Pública da China, Wu Heping. "Eles afirmam que não temem derramamentos de sangue nem sacrifícios."

O Nobel da Paz de 72 anos nega as acusações e condena o uso da violência nas manifestações. Rinpoche, o líder no exílio, reiterou hoje as afirmações do líder espiritual. "Não existe a possibilidade de grupos suicidas", disse Rinpoche. "Não há dúvida alguma de que em nossa mente queremos seguir o caminho da não violência", prosseguiu. Ele afirmou ainda que a comunidade exilada teme que o governo chinês possa "mascarar os tibetanos" com planos de ataques terroristas para desacreditar os ativistas.

Pequim acusou anteriormente o dalai-lama e seus simpatizantes de orquestrarem os protestos contra o governo em Lhasa, capital da província chinesa do Tibete, no último mês como parte de uma campanha para sabotar a realização da Olimpíada e promover a independência da região anexada pela China há quase 50 anos. O governo chinês afirma ainda ter capturado "importantes suspeitos" e reunido evidências "suficientes" para provar a responsabilidade de tibetanos nos protestos em Lhasa.

Hoje, durante entrevista coletiva semanal no Ministério de Relações Exteriores, a porta-voz Jiang Yu justificou o fechamento da região tibetana a jornalistas estrangeiros e turistas, após a explosão dos distúrbios. "Antes dos incidentes, Lhasa era um lugar aberto onde podiam entrar os turistas e jornalistas, se fizessem os procedimentos necessários", disse Jiang. "No entanto, devido aos distúrbios violentos, foi necessário tomar medidas que são legítimas e cumprem a lei", disse.

Além disso, a porta-voz da chancelaria chinesa criticou uma carta escrita pelo dalai-lama e dirigida a Pequim, a favor do diálogo e das manifestações pacíficas. Jiang disse que o líder espiritual tibetano "distorceu a história durante meio século, prejudicando a estabilidade da China", e afirmou que a carta era "hipócrita".

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