China acusa ricos de aumentar pressão sobre pobres por clima

Por Alister Doyle BONN, Alemanha (Reuters) - A China acusou nesta quinta-feira os países ricos presentes a uma reunião da ONU de aumentar a pressão sobre as nações pobres, cobrando delas mais ações para combater o aquecimento global ao mesmo tempo em que diminuem sua própria responsabilidade de liderança.

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"Há um sentimento geral de insatisfação sobre o nível de esforços que (os países desenvolvidos) dizem que assumirão", disse à Reuters o embaixador da China para o clima, Yu Qingtai, nos bastidores de uma reunião sobre o clima em Bonn, que segue até o dia 14.

"O que é ainda mais preocupante é uma continuidade e mesmo um fortalecimento da tendência de tentar transferir o ônus para os países em desenvolvimento", disse. "Isso precisa mudar."

Muitos países ricos presentes ao evento -- reunindo 180 nações para negociar o novo pacto climático da ONU previsto para ser fechado em dezembro -- estão bem acima das metas de corte das emissões de gases-estufa previstas para o período de 2008 a 2012 no Protocolo de Kyoto.

Ainda na quinta-feira, o parlamento da Austrália rejeitou, como já era esperado, um plano para o esquema de comércio de emissões mais ambicioso do mundo. O governo afirmou que tentaria aprovar o esquema antes da conferência climática de dezembro em Copenhague.

"É uma pena que o plano australiano não tenha passado", disse Jennifer Morgan, do think-tank ambiental E3G. "Ajudaria ter um sistema de comércio de licenças de emissões num país que é um grande produtor de carvão para estimular os outros."

A Índia também afirmou que os países ricos estavam esperando demais dos pobres, ao mesmo tempo em que não conseguem estabelecer metas de cortes maiores para 2020 nas emissões de gases-estufa provenientes de combustíveis fósseis queimados desde a Revolução Industrial, 200 anos atrás.

"Há países em desenvolvimento talvez fazendo muito mais do que os países desenvolvidos", disse à Reuters o enviado especial da Índia para mudança climática, Shyam Saran.

"Seja em termos de programas de energia renovável ou na promoção de novas tecnologias, você vê muito mais ações nos países em desenvolvimento do que nos países desenvolvidos", afirmou.

Saran ressaltou que a Índia aprovou um projeto para instalar 20 mil megawatts de energia solar até 2020. Ele não quis comentar diretamente a decisão australiana.

Os países desenvolvidos afirmam que os países pobres precisam fazer mais para ajudar um novo pacto da ONU combater as previsões de ondas de calor, secas, inundações e aumento no nível dos oceanos. A China é o maior emissor de gases-estufa, à frente de EUA, Rússia e Índia.

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