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China aceita ajuda de estrangeiros e se prepara para balanço extremamente grave

A China autorizou nesta sexta-feira a presença dos primeiros voluntários estrangeiros nas operações de resgate, ainda com a esperança de encontrar sobreviventes do terremoto em Sichuan, cujo balanço de mortos será muito elevado, como reconheceu o próprio governo.

AFP |

Quatro dias depois da catástrofe, soldados e voluntários civis se esforçavam para retirar, muitos apenas com as mãos, os escombros de concreto e ferros retorcidos para tentar detectar sinais de vida.

Os primeiros socorristas estrangeiros, japoneses, chegaram nesta sexta-feira às áreas devastadas. Russos, sul-coreanos e cingapurianos chegarão nos próximos dias, depois que Pequim aceitou abrir as fronteiras e parou de rejeitar reiteradamente as ofertas de envio de voluntários estrangeiros.

No entanto, os especialistas lembram que as possibilidades de encontrar sobreviventes diminuem consideravelmente a partir do terceiro dia. O terremoto aconteceu na tarde de segunda-feira, em um horário no qual todos locais de trabalho e escolas estavam lotados.

O registro total do forte terremoto aumentou para 22.069 mortos. Apenas em Sichuan (sudoeste), onde foi situado o epicentro do terremoto, há até o momento mais de 21.500 mortos, de acordo com o vice-governador desta província, Li Chengyun.

Porém, o balanço ameaça ser muito mais elevado. O governo de Pequim já começou a preparar a população ao anunciar estimativas mais contundentes na quinta-feira: a catástrofe pode superar os 50.000 mortos.

Dezenas de veículos ficaram soterrados nesta sexta-feira em um deslizamento de terra em Sichuan (sudoeste da China), provocado por uma forte réplica do terremoto de segunda-feira, informou a agência oficial Xinhua.

Durante a noite, o primeiro-ministro Wen Jiabao anunciou que o terremoto foi o mais devastador da história da República Popular da China, criada em 1949, em termos de superfície afetada, mais de 100.000 km2, e de magnitude 7,9 graus na escala Richter.

O tremor de junho de 1976 que arrasou a cidade de Tangshan, perto de Pequim, deixou oficialmente 242.000 mortos.

"Ainda estamos no período crítico em que podemos salvar vidas e não abandonaremos isto enquanto restar a mínima esperança de encontrar sobreviventes", afirmou Wen, que supervisiona as operações na área devastada.

O presidente chinês Hu Jintao chegou nesta sexta-feira à cidade de Mianyang, em sua primeira viagem à província de Sichuan desde o terremoto.

"O desafio ainda é grande, a tarefa é dura; e o tempo, curto. As operações de socorro entraram na fase mais crucial", declarou o chefe de Estado.

Segundo estimativas da agência Xinhua, 216.000 edifícios foram destruídos pelo tremor em Sichuan, incluindo 6.898 centros escolares, o que soterrou milhares de crianças e professores.

A ansiedade dos pais aumenta a cada hora e eles começam a acusar as empresas que construíram as escolas, que desabaram em poucos segundos, enquanto outros edifícios vizinhos permaneceram de pé.

Em Mianyang, mil crianças ficaram soterradas nos escombros de sua escola e outras 900 em um colégio na cidade vizinha de Juyuan.

"Vou dizer a vocês porque a escola desabou, porque foi mal construída. Alguém quis economizar dinheiro", disse um homem que participava nas operações de resgate em Juyuan.

Em uma tentativa de se antecipar à indignação da população, o governo chinês ordenou nesta sexta-feira uma investigação sobre as causas dos desabamentos de tantas escolas.

Como em todas as catástrofes, os milagres mantêm as esperanças das famílias.

Depois de ter sobrevivido 80 horas sob as ruínas de sua escola em Beichuan, um menino foi resgatado na madrugada desta sexta-feira nos escombros de uma escola de Beichuan.

Os socorristas ouviram mais pedidos de ajuda em meio aos escombros e esperam por novos "milagres".

Outra corrida contra o tempo começou para prevenir o risco de epidemias, já que os corpos se descompõem rapidamente pelo efeito do calor.

bur-gca/fp

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