China abre vagas para universitários no Exército para combater desemprego

O Exército chinês abriu 120 mil novos postos de alistamento para jovens universitários desempregados a fim de aliviar a pressão sobre o mercado de trabalho. O programa de recrutamento custou US$ 420 milhões (cerca de R$ 809 milhões) aos bolsos dos contribuintes chineses e prevê um pagamento único de US$ 3,5 mil (aproximadamente R$ 6,8 mil) para cada candidato alistado.

BBC Brasil |

O dinheiro oferecido deve ser utilizado para quitar o financiamento dos estudos universitários.

O contrato com o Exército permite que os recém-formados abandonem a vida militar se encontrarem emprego na iniciativa privada.

Procura
As Forças Armadas não especificaram as posições que serão ofertadas aos formandos, mas a imprensa estatal afirmou que o programa serve para "melhorar a qualidade" dos serviços militares.

O programa entrou em funcionamento há algumas semanas e tem prazo de inscrição até novembro.

Por enquanto o esquema está aberto apenas aos homens. As mulheres só poderão participar da segunda parte do processo de seleção, que começa no final do ano.

"Os jovens pensam que o governo está fazendo um favor para eles", disse ao jornal China Daily um oficial de sobrenome Shu, que trabalha no escritório de recrutamento militar em Fushun, na província de Liaoning, no nordeste da China.

As Forças Armadas da China estão entre as maiores do mundo e contam com mais de 2,3 milhões de pessoas.

Desemprego
A medida faz parte de um esforço organizado pelo governo chinês para aliviar o desemprego em meio à crise econômica.

O aumento de desemprego no país é amplamente reconhecido, mas estatísticas oficiais relativas ao primeiro semestre de 2009 ainda não foram divulgadas.

Estimativas publicadas pela imprensa estatal no final de 2008 sugeriam que mais de 4,5% da população economicamente ativa estava ociosa.

Nos anos anteriores este percentual havia oscilado entre 4% e 4,3%.

As autoridades temem que a falta de emprego possa gerar insatisfação e inquietação social entre os estudantes - como ocorreu em 1989 - o que poderia desestabilizar a liderança comunista.

Há 20 anos, estudantes e trabalhadores estavam insatisfeitos com o ritmo das reformas de abertura e com a situação da economia, que apresentava inflação de mais de 20% ao ano.

A falta de perspectiva para os universitários daquela época foi uma dos estopins para os protestos pró-democracia na Praça da Paz Celestial, acreditam historiadores contemporâneos.

Economia
De acordo com dados estatais, atualmente 6,1 milhões de jovens se formam a cada ano nas universidades da China.

A meta do governo é de que a economia cresça pelo menos 8% ao ano para gerar postos de trabalho suficientes para absorver esses novos profissionais.

Depois do início da crise financeira global, no segundo semestre de 2008, as previsões de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) chinês para este ano ameaçaram ficar abaixo desse patamar.

Em março, o Banco Mundial havia estimado uma expansão de 6,5% para o PIB. Em junho, no entanto, a instituição divulgou uma revisão e projeta um crescimento de 7,2% para a economia chinesa.

Entre 2003 e 2007, a China cresceu acima de 10% ao ano, mas encerrou o ano passado com um aumento de cerca de 9% no PIB.

Os dados relativos ao primeiro semestre de 2009 serão divulgados ainda este mês.

De janeiro a março o crescimento do PIB calculado pelo Escritório Nacional de Estatísticas da China foi de 6,1%.

Investimento
Para reverter o impacto negativo causado pela crise mundial, o governo tem investido pesado na indústria nacional e no setor de construção civil para a criação de empregos.

No último mês de novembro, Pequim anunciou um plano de US$ 580 bilhões (R$1,1 trilhão) em estímulos à economia.

De acordo com o Banco Mundial, somente nos primeiros quatro meses de 2009, os investimentos do governo aumentaram 39% em relação ao mesmo período do ano passado.

O Banco também estima que cerca de seis pontos percentuais dos 7,2% de crescimento estimado para este ano terão origem em investimentos estatais e consumo doméstico.

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