Milhares de estudantes voltaram a se reunir nesta quinta-feira em Santiago para uma nova passeata por melhorias na educação pública, que terminou com confrontos entre manifestantes e a polícia chilena.
De acordo com os organizadores, a manifestação desta quinta-feira reuniu cerca de 150 mil estudantes, superando a escassa participação registrada em protestos da semana passada.
Cerca de 150 mil estudantes chilenos se reuniram em Santiago
A marcha foi majoritariamente pacífica, mas no final do ato um grupo de encapuzados lançou paus e pedras contra a polícia nos arredores do Parque Almagro, no centro de Santiago, onde os agentes policiais responderam com bombas de gás lacrimogêneo e jatos d'água para dispersá-los. Alguns manifestantes incendiaram também barricadas com madeira e outros objetos roubados anteriormente de uma construção próxima.
Os choques ocorreram quando a maioria dos participantes já se retirava da região estabelecida como o destino da marcha, realizada em meio a atividades culturais com música e discursos de líderes estudantis.
Confrontos semelhantes foram registrados em outras manifestações convocadas pelos estudantes, que há quatro meses exigem educação pública gratuita e de qualidade no país.
Convocados pela Confederação dos Estudantes do Chile (Confech), os manifestantes se encontraram fora da Universidade de Santiago, no oeste da cidade, para avançar pela Alameda até o Palácio presidencial La Moneda. "É uma passeata massiva que vai além de nossas expectativas", disse o líder estudantil Giorgio Jackson, que lidera uma das colunas de manifestantes.
O ato foi convocado no momento em que o diálogo entre os estudantes e o governo está parado, depois que o poder Executivo rejeitou quatro condições exigidas pelo movimento estudantil para abrir uma mesa de negociações que resolvesse o conflito. "Calamos a boca desse governo. Temos esse parque cheio, cheio de convicção e alegria", afirmou no ato de fechamento o líder estudantil Camilo Ballesteros.
O porta-voz do Executivo, Andrés Chadwick, diminuiu a força das manifestações em declaração. "Um protesto a mais ou a menos, maior ou menor, não vai mudar o tema e a preocupação fundamental do governo, que é continuar insistindo na necessidade de uma mesa de diálogo."
O presidente do Chile, Sebastián Piñera, afirmou, durante discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, que o governo "se dispôs a realizar reforma, com os mais altos recursos, para aumentar a cobertura às crianças, para que a intervenção na educação chegue a tempo e, adicionalmente, melhorar o financiamento em todos os níveis da educação".
Ao longo do ano, de acordo com o governo, os estudantes chilenos realizaram 35 marchas em Santiago exigindo o fortalecimento da educação pública, em um país que conta com um dos sistemas educativos mais segregados do mundo, produto das reformas liberais impostas pela ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).
Manifestantes jogam pedras contra a polícia durante manifestação pela melhoria da educação pública em Santiago
Na segunda-feira, Piñera disse que 70 mil estudantes do ensino médio perderão o ano letivo após quatro meses de paralização das aulas por causa de mobilizações estudantis por melhorias da educação pública. O número equivale a 2% do total de estudantes matriculados no ensino médio no país.
Segundo o presidente, os alunos vão perder o ano porque não se inscreveram em um plano do governo apresentado em agosto para que pudessem recuperar as aulas perdidas.
Com AFP e EFE
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