Chilenos acampam em aeroporto do Rio à espera de voo para casa

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Sem informações de familiares em cidades afetadas pelo terremoto do Chile e sem conseguir embarcar de volta para casa, turistas chilenos aguardavam nesta terça-feira acampados, no aeroporto Antônio Carlos Jobim, pela normalização dos voos para Santiago. Dezenas de chilenos estão presos no aeroporto internacional do Rio desde domingo, quando os voos programados para decolar para Santiago foram cancelados devido ao fechamento do aeroporto da capital chilena como consequência do tremor que deixou ao menos 763 mortos.

Reuters |

Várias mulheres e crianças estão entre os chilenos que têm dormido no aeroporto. Os turistas reclamam da falta de apoio da companhia aérea LAN Chile que, segundo eles, não forneceu nenhuma tipo de ajuda e não tem cumprido com as promessas.

"São duas preocupações: primeiro voltar logo para casa e sair dessa situação, e depois procurar informações sobre os familiares com quem não conseguimos qualquer contato", disse à Reuters Television o turista chileno Antonio García, de 46 anos, que passou a noite dormindo no chão do aeroporto ao lado da filha.

Os chilenos reclamam também da falta de assistência do consulado do Chile, que não teria prestado ajuda. Segundo eles, alguns turistas voltaram para hoteis pagando do próprio bolso, mas a maioria não tem recursos para arcar com a hospedagem e permanece no aeroporto.

Uma bandeira do Chile foi erguida numa pilastra, onde também foram afixados cartazes escritos a mão pedindo a ajuda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente eleito do Chile, Sebastián Piñera, para levá-los de volta a seu país.

"A situação está caótica. A LAN não está cumprindo as promessas, eles dizem que podemos ir embora que vão nos chamar para embarbar, mas eles não chamam", reclamou Alvaro Diaz, de 30 anos, que tinha voo marcado para o Chile no domingo à tarde.

"Ainda não vimos nossos familiares e só acompanhamos a situação pelas tevê. A maior preocupação agora é voltar logo para o nossa país e reencontrar a família", acrescentou.

A LAN Chile informou em comunicado em seu site na Internet que as operações no aeroporto de Santiago foram retomadas por meio de instalações provisórias, e que um voo partirá do Rio para Santiago na quarta-feira.

O terremoto de magnitude 8,8 que atingiu o Chile na madrugada de sábado é um dos mais fortes que se tem registro nos últimos 100 anos. O tremor e tsunamis ocorridos na sequência mataram ao menos 763 pessoas e deixaram ao menos 500 mortos, de acordo com dados oficiais do governo.

(Reportagem Reuters TV; Texto de Pedro Fonseca)

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