Chile tenta voltar à normalidade em meio à saques e dificuldades para resgate

A população chilena se esforça para voltar à normalidade após o terremoto de 8.8 graus de magnitude que atingiu o país neste sábado. Serviços começam a ser retomados, mas saques ocorrem em algumas regiões, enquanto equipes de resgate tentam chegar às vítimas do tremor.

iG São Paulo |

  • Sobe para 708 número de mortos em terremoto no Chile

    • O aeroporto na capital, Santiago, foi reaberto neste domingo e já recebeu cinco voos internacionais. O local havia sido fechado no sábado, devido aos danos causados pelo terremoto.

      Autoridades também informaram que o serviço de transportes públicos está retornando ao normal. Uma linha de metrô em Santiago foi reaberta, assim como as estradas, embora os motoristas ainda precisem passar por vários desvios.

      "Infelizmente, nós, chilenos, temos experiência com terremotos", disse o embaixador do país em Londres, Rafael Moreno. "Restauramos os serviços em Santiago e a energia na maior parte do país, mas ainda está problemático em Concepción. Há água potável - um elemento crucial após um terremoto - e estamos cuidando dos feridos."

      Ele disse que as escolas, que deveriam retomar as aulas na segunda-feira, permanecerão fechadas por "outros quatro ou cinco dias".

      Resgate

      Apesar da reabertura de estradas e do aeroporto de Santiago, os grandes danos causados pelo tremor ainda estão impedindo os trabalhos das equipes de resgate e há muita dificuldade para se chegar aos que ainda estão soterrados nos escombros.

      AP

      Bombeiros trabalham no resgate às vítimas de tremor

      Grupos de resgate usam pás e marretas para tentar encontrar sobreviventes em meios aos escombros. "Passamos a noite toda trabalhando, quebrando paredes", afirmou o comandante da equipe, Marcelo Plaza. "O maior problema é combustível. Precisamos de combustível para manter as máquinas operando, e água para as pessoas".

      A dificuldade de movimentação impede que a ajuda humanitária seja entregue a muitos que precisam, como moradores da ilha de Juan Fernandez, onde cinco pessoas morreram.

      Para complicar a tarefa, após o terremoto principal, dezenas de "réplicas", ou tremores secundários, atingiram o Chile - incluindo um tremor de magnitude maior que 6 registrado neste domingo.

      Também neste domingo, a presidente Michelle Bachelet decretou "zona de catástrofe" nas regiões de Maule e Concepción, como forma de acelerar a entrega de ajuda.

      A Força Aérea do Chile vai levar suprimentos para as duas áreas e os militares vão assumir a liderança da distribuição. Em Maule e Bío-Bío produtos básicos serão entregues de graça, mas os pontos de distribuição ainda terão que ser decididos.

      Saques

      Cerca de 1,5 milhões de residências foram danificadas e a polícia está se mobilizando para conter os saques em cidades como Concepción , o centro urbano mais próximo do epicentro (90 km).

      AP
      Homem saqueia supermercado em Concepción

      Homem saqueia supermercado em Concepción

      Neste domingo, moradores de Concepción saquearam o supermercado Líder, da rede americana Wal-Mart. Grande parte levou alimentos e artigos de primeira necessidade, embora outros tenham aproveitado para roubar eletrodomésticos, televisores e equipamentos de som.

      Gás lacrimogêneo foi usado para dispersar os saqueadores. Após a confusão, a própria polícia autorizou a entrada de mulheres para que pegassem comida, leite, fraldas, papel higiênico e outros produtos básicos.

      A prefeita da cidade, Jacqueline van Rysselberghe, disse que o município ainda não recebeu a prometida e necessária ajuda de Santiago. Ela também criticou as autoridades por não enviar com rapidez equipes para resgatar os sobreviventes de um prédio de 14 andares que desabou no centro de Concepción.

      Segundo a prefeita, de 80 a cem pessoas ficaram soterradas, algumas das quais ainda podem estar vivas. Os bombeiros já resgataram três corpos e perfuraram os muros para facilitar a entrada de ar aos setores onde é possível ouvir pedidos de socorro.

      Além de Concepción, outras cidades também foram fortemente atingidas, como Curicó, a 180 km ao sul de Santiago, onde cerca de 90% do centro histórico foi destruído. Em Chillán, mais de 200 prisioneiros escaparam depois que o edifício de uma prisão veio abaixo. Após a fuga, cerca de 60% foram recapturados.

      Ainda assim, o Chile não requisitou ajuda humanitária, apesar de ofertas por parte de países, organizações e instituições de caridade ao redor do mundo.

      "Qualquer ajuda que chegar sem ter sido necessitada ajuda muito pouco", disse o ministro do Exterior, Mariano Fernández. Na sua opinião, as ofertas poderiam acabar "desviando a atenção" para os socorros do governo.


      Com BBC e EFE

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