Chile tenta conter caos com militares nas ruas e melhora na ajuda

Concepción/Santiago do Chile, 2 mar (EFE).- No momento em que a distribuição de ajuda a desabrigados começa a fluir, o Governo do Chile decidiu hoje aumentar a presença militar nas ruas para conter o vandalismo e a violência nos locais mais atingidos pelo poderoso terremoto do último sábado.

EFE |

Segundo o Escritório Nacional de Emergência (Onemi) e o ministro da Saúde, Álvaro Erazo, o número de mortos no terremoto de 8,8 graus de magnitude na escala Richter chega a 763 e o de feridos passa de 500.

Depois de se reunir com chefes militares e policiais, a presidente Michelle Bachelet disse hoje que as autoridades agirão com o rigor necessário para frear os saques e pilhagens.

"Sabemos que há ações de pequenos grupos que estão provocando enormes danos materiais e humanos", disse a presidente, que assegurou que o Governo "vai cortar os problemas pela raiz".

A chefe de Estado anunciou o envio de militares às regiões de Maule e Bío-Bío, que com 554 e 92 mortos são as mais prejudicadas pela tragédia. Juntas, as duas receberão 11.850 homens do Exército, 2.131 da Marinha, 50 aeronaves para estabelecer uma ponte aérea e duas fragatas.

Bachelet, criticada pelo presidente eleito, Sebastián Piñera, por prefeitos e outras autoridades locais por não ter enviado os militares antes, reconheceu também ser necessário "melhorar a efetividade das tarefas de controle da ordem pública" nessas regiões.

Dentro dessas medidas, o toque de recolher imposto na província de Concepción (Bío-Bío) será mantido das 18h de hoje (na hora local e em Brasília) até o meio-dia de quarta-feira.

A decisão obedece à necessidade de proteger a ajuda alimentícia para as vítimas e sua distribuição, que será "casa por casa", como disse o general Guillermo Ramírez, chefe da área em estado de catástrofe na região de Bio-Bío.

O general explicou que as tropas enviadas à região "não vão se inibir" no cumprimento da missão de resguardar a ordem e chamou a população a respeitar as instruções oficiais, de modo a evitar acidentes.

De forma paralela começou a fluir para as áreas atingidas cargas de ajuda, que se espera que aumentem com o correr dos dias, pois a conexão viária entre Santiago e o sul do país foi restabelecida, ainda que com desvios e outros problemas que tornam a circulação lenta.

Helicópteros militares com ajuda chegaram ao litoral de Maule, onde várias zonas litorâneas foram arrasadas pelo tsunami que seguiu o terremoto.

Três embarcações da Marinha com mais de mil toneladas de ajuda começaram a percorrer as cidades litorâneas de todas as regiões atingidas pelo terremoto.

"Já foram destacados todos os recursos humanos e materiais necessários para atender a emergência", disse Bachelet.

Isso envolve tanto o controle da ordem pública e da segurança, como a entrega de água e mantimentos, instalação de hospitais de campanha e restabelecimento das comunicações.

Segundo a presidente, hoje "devem estar plenamente instalados todos os dispositivos de emergência".

Nas zonas de catástrofe são comuns as queixas dos sobreviventes, que hoje, por exemplo, reclamam não terem recebido nenhuma ajuda.

Bachelet explicou que a principal preocupação do Governo no momento é dar segurança e tranquilidade à população, e disse entender "perfeitamente" a angústia e as necessidades das pessoas.

Ela reiterou que é inaceitável a ação de "grupos pequenos" que deixaram enormes prejuízos materiais e humanos, e destacou que eles enfrentarão o rigor da lei se continuarem com tais ações.

A presidente considerou inaceitável que os moradores, além de estarem preocupados com a tragédia natural, tenham que se armar para cuidar do pouco que lhes resta.

Em Concepción e cidades próximas grupos de civis, munidos de paus, martelos, pedaços de ferro, facas de cozinha e espingardas, passaram a noite em claro para cuidar de suas casas e pertences.

A chegada de militares foi recebida com aplausos nas cidades mais prejudicadas pelo terremoto, como foi o caso de Coronel, na província de Arauco. EFE ns/rr

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