Chile reconhece mais 9,8 mil vítimas da ditadura de Pinochet

Lista divulgada pela presidência chilena passa a contabilizar 40.018 vítimas do regime militar no Chile (1973-1990)

iG São Paulo |

O governo chileno reconheceu mais 9,8 mil vítimas da ditadura militar nesta quinta-feira, aumentando o total de mortos, torturados e presos políticos para 40.018.

A decisão é fruto de um esforço de 2004, que determinou que 27.153 sobreviventes mereciam uma compensação financeira mensal do governo pelas violações de direitos humanos que sofreram durante o regime militar (1973-1990).

AP
Foto de 11 de setembro de 1973 mostra militares retirando corpo do então presidente chileno Salvador Allende do Palácio La Moneda, em Santiago
Com os 3.065 que foram mortos durante o regime militar, desapareceram ou são dados como mortos, a lista de vítimas oficial aceita pelo presidente chileno, Sebastián Piñera, passa a contabilizar 40.018 vítimas no Chile.

Sobreviventes de violações durante a ditadura terão pensões vitalícias de cerca de US$ 260 mensais, enquanto parentes dos mortos na ditadura poderão receber o triplo dessa quantia. No total, o governo precisará gastar a mais uma quantia de cerca de US$ 123 milhões em compensação para as vítimas anualmente.

A lista com novos nomes foi entregue pela Comissão da Verdade sobre Prisão Política e Tortura - conhecida como Comissão Valech em homenagem ao ex-bispo de Santiago Sérgio Valech, que a presidiu até sua morte, em 2010. O grupo, que tem o objetivo de investigar os crimes do regime militar de Augusto Pinochet no Chile (1973-1990), foi criado em 2003 pelo então presidente chileno Ricardo Lagos. Em sua primeira fase, o órgão ouviu mais de 35 mil testemunhos de pessoas que sofreram abusos. Em novembro de 2004, Lagos anunciou que 28.459 casos haviam sido qualificados como vítimas oficiais.

Pré-comissão

Antes da criação da comissão, o Chile reconhecia oficialmente apenas 2.279 mortes nas mãos de agentes do Estado durante o regime do general Augusto Pinochet (1973-1990), compiladas pelo relatório Rettig, que resultou dos trabalhos da Comissão da Verdade e Reconciliação de 1991. O relatório contabilizou apenas as desaparições e execuções.

A pedido de organizações de direitos humanos, em 2009 o Parlamento chileno reabriu a Comissão da Verdade, pedindo a seus membros que tomassem durante seis meses novos testemunhos de vítimas.

Mesmo com o aumento da nova contagem, organizações de direitos humanos estimam que ainda restam muitos casos de abusos e violações a ser contabilizados. Além disso, estima-se que muitas vítimas que vivem em zonas afastadas não registraram suas denúncias, por medo ou falta de informação sobre a comissão. Por isso, muitas organizações de direitos humanos creem que o órgão deveria ser uma instância permanentemente aberta.

*Com AP e BBC

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