Chile propõe que Unasul envie missão à Bolívia para diálogo entre partes

Santiago do Chile, 15 set (EFE) - O Chile proporá hoje aos líderes da União de Nações Sul-americanas (Unasul) o envio de uma missão à Bolívia para mediar entre as partes e garantir o estabelecimento de uma mesa de diálogo que coloque fim ao conflito que este país vive há semanas.

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Se a iniciativa for aprovada na cúpula extraordinária de chefes de Estado e do Governo da Unasul, que começará nas próximas horas em Santiago, o bloco somaria seus esforços à missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) que irá à Bolívia na quarta-feira, liderada pelo secretário geral do organismo, José Miguel Insulza.

O anúncio foi feito hoje em entrevista coletiva pelo secretário "pro tempore" da Unasul, o chanceler chileno, Alejandro Foxley, ao informar da minuta do acordo da cúpula de emergência, convocada pelo Chile para buscar uma solução à crise política da Bolívia.

Foxley destacou que o envio da missão mediadora estaria subordinado a que o Governo boliviano autorizasse o mesmo.

"O ponto básico de hoje é a instalação de uma mesa de diálogo que pode estar acompanhada pela Presidência 'pro tempore' da Unasul", provavelmente com uma visita a La Paz de representantes do órgão com o secretário-geral da OEA, "para conversar com todos os setores que hoje têm grandes diferenças", explicou Foxley.

O chanceler ressaltou que a Unasul e a OEA trabalham em conjunto para "estabelecer um calendário para voltar à normalidade, colocar fim à violência e fazer com que o diálogo seja um elemento permanente nos próximos períodos do desenvolvimento da democracia na Bolívia".

"O que interessa a todos nós é fortalecer o processo democrático na Bolívia e a capacidade de diálogo, porque a Bolívia é um país muito importante na América do Sul, é nosso amigo e temos uma excelente relação", destacou o chanceler chileno.

Foxley se reuniu no começo da manhã com a governante chilena, Michelle Bachelet, para "afinar o documento" que a Presidência "pro tempore" da Unasul submeterá à discussão e eventual aprovação dos presidentes.

A proposta, que está sendo analisada pelas delegações, coincide com a postura antecipada pelo secretário-geral da OEA hoje.

A declaração estabelece que "é indispensável terminar já com a violência na Bolívia e buscar uma convivência pacífica entre todos os setores".

"Reconhece a autoridade legítima do Governo boliviano, que é o presidente Evo Morales, e (portanto) que ele é o interlocutor principal no diálogo que deve ser levado à frente no futuro", indica o documento.

O texto destaca "o princípio fundamental de legitimidade da democracia na Bolívia, do atual regime do presidente Morales e da integridade territorial desse país, que não deve ser colocados em dúvida em momento algum".

"Tomara que a declaração seja assumida por consenso de todos os presidentes", disse o chanceler chileno, que, perguntado sobre as divergências entre os presidentes, respondeu: "Não estamos em confrontos dentro da Unasul nem além da Unasul".

Foxley disse que da reunião de Santiago participam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os governantes Cristina Fernández de Kirchner (Argentina), Evo Morales (Bolívia), Álvaro Uribe (Colômbia), Rafael Correa (Equador), Fernando Lugo (Paraguai), Tabaré Vázquez (Uruguai) e Hugo Chávez (Venezuela).

Também chegaram representantes do Suriname e da Guiana, assim como o ministro das Relações Exteriores do Peru, José Antonio García Belaúnde, representando o presidente peruano, Alan García.

O chanceler chileno rejeitou as críticas da oposição de direita no sentido de que a OEA não atuou para conseguir uma solução ao conflito boliviano.

"Falamos com o secretário-geral da OEA e ele está de acordo com que temos que trabalhar somando forças para que os bolivianos, de forma autônoma, sem interferências de ninguém, definam os temas a serem discutidos", disse Foxley.

"Nossa atitude não é de competir, mas de colaborar e unir esforços", ressaltou o ministro, que não descartou a possibilidade de uma reunião de chanceleres da OEA em Washington nos próximos dias.

A reunião de líderes começará às 15h (16h em Brasília) no Palácio da Moeda, e não está prevista uma hora para terminar.

Concluído o encontro, Bachelet, na qualidade de presidente "pro tempore" do bloco sub-regional, informará dos acordos alcançados.

EFE mf/db

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