Chile pede assessoria da Nasa para alimentar mineiros presos

Segundo ministro, situação dos mineiros presos desde 5 de agosto é muito parecida com a dos astronautas no espaço

iG Sâo Paulo |

As autoridades de saúde chilenas pediram a ajuda da Nasa para alimentar os 33 mineiros presos a 700 metros de profundidade em uma mina no norte do Chile, informou o ministro da Saúde chile, Jaime Mañalich.

Segundo o ministro, a essa profundidade, às escuras, com pouca ventilação e sem acesso a alimentos, a situação dos 33 mineiros presos há 19 dias é muito parecida com a que os astronautas vivem quando estão no espaço.

AP
Elias Sepúlveda (à dir.) abraça sua prima Katherine perto de local de tributo a seus parentes Esteban e Pablo Rojas, dois dos 33 mineiros presos em jazida chilena
A ajuda pedida, explicou o ministro, diz respeito especialmente ao processo de alimentação a que devem ser submetidos os mineiros, com pequenas doses de alimentos condensados, mas ricos em proteínas. Segundo o jornal El Mercurio, a Nasa já está planejando a assessoria ao governo chileno.

O grupo de mineiros sobreviveu até agora com duas colheres de atum e meio copo de leite a cada 48 horas , segundo revelou na véspera a senadora Isabel Allende. A senadora pela região de Atacama explicou à AFP que teve acesso à ficha médica de um dos mineiros, que revelou estar "comendo duas colheradas de atum e meio copo de leite a cada 48 horas".

Equipes médicas entraram em contato com o grupo por um sistema de comunicação enviado por meio do duto aberto até o ponto sob a terra, com o qual se estabeleceu a primeira comunicação no domingo, e foi possível constatar " o perfeito estado de saúde de todos ", segundo a médica Paula Newman.

A médica informou que o grupo já recebeu um solução com glicose a 5% e comprimidos de omeprazol, um medicamento para revestir o estômago para evitar possíveis úlceras por causa da falta de alimentação.

Os engenheiros estão concluindo um levantamento topográfico para poder abrir um novo acesso à mina, e vão coordenar as ações com o grupo soterrado quando as máquinas iniciarem o trabalho.

O tempo para se chegar ao grupo, estimado em entre três e quatro meses, ainda não foi comunicado aos mineiros, que receberão tarefas diárias e serão monitorados por médicos e psicólogos.

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, confirmou nesta terça-feira que o resgate dos 33 operários, que estão presos na mina desde 5 de agosto, demorará vários meses. "Provavelmente eles não vão estar conosco na superfície para o bicentenário (18 de setembro), mas vão estar conosco para o Natal e o Ano Novo", ressaltou o líder após participar de um ato religioso em homenagem aos trabalhadores.

Segundo especialistas, a tarefa de trazer os mineradores à superfície desde os quase 700 metros de profundidade em que se encontram em San José pode levar 120 dias.

Piñera reiterou que o governo seguirá fazendo "todo o humanamente possível" para ter os mineradores na superfície no final do ano.

O governo, acrescentou, também fará parte nas ações judiciais empreendidas pelo Ministério Público por causa do acidente e fará todos seus esforços para que os proprietários da mina assumam suas responsabilidades.

*Com AFP e EFE

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