Chile luta para distribuir ajuda humanitária após terremoto

Por Mario Naranjo CONCEPCIÓN, Chile (Reuters) - O governo chileno tentava acelerar nesta terça-feira a distribuição de ajuda humanitária a milhões de pessoas afetadas pelo devastador terremoto e os tsunamis, enquanto se mantinha o toque de recolher na segunda maior cidade do país devido aos saques.

Reuters |

O estado de exceção em Concepción se estenderá até o meio-dia desta terça depois que saqueadores queimaram lojas, e os moradores se queixaram por uma deterioração na segurança e a lenta entrega por parte do governo de alimentos e outros suprimentos básicos.

Em Santiago, cerca de 300 quilômetros ao norte do epicentro do terremoto de sábado, as autoridades se preparavam para receber a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, e o presidente do Peru, Alan García, depois que o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, visitou o país na segunda-feira.

Apesar da chegada de milhares de soldados para ajudar a polícia local, as autoridades lutam para restaurar a ordem em Concepción, muito afetada pelo tremor de magnitude 8,8, que matou pelo menos 723 pessoas.

A presidente chilena, Michelle Bachelet, afirmou nesta terça que a situação na cidade de Concepción está "sob controle", depois do reforço militar.

Na segunda cidade mais povoada do país, as ruas se encontravam vazias, com controles militares a cada 400 metros e policiais com fuzis em meio a pilhas de destroços e nuvens de fumaça tóxica causadas por uma série de incêndios, enquanto ainda não começava a distribuição de ajuda em meio ao caos.

"A ajuda do governo tem sido lentíssima, muito lenta", disse a professora Carolina Contreras, de 36 anos, que vive perto de Concepción.

Moradores da cidade estão se organizando em grupos para proteger suas propriedades e a prefeita afirmou que os saqueadores estão ficando mais organizados.

RECUPERAÇÃO

A presidente Michelle Bachelet condenou "os saques e a delinqüência" e enviou 7.000 soldados à região, além de decretar toque de recolher.

O terremoto, um dos mais intensos da história, ocorre num momento em que o Chile, uma das economias mais estáveis da América Latina, tenta se recuperar da recessão provocada pela crise financeira global.

O dano econômico poderia alcançar os 30 bilhões de dólares, segundo economistas e companhias de seguro. Cerca de 2 milhões de pessoas foram afetadas pelo terremoto e os tsunamis, e meio milhão de casas foram destruídas.

O governo admitiu dificuldades no pronto envio da ajuda, devido a problemas de infraestrutura. Houve críticas à atuação das autoridades particularmente na cidade de Talca, onde o principal hospital desabou parcialmente.

"Não recebemos nenhuma ajuda do governo. Esperávamos mais e ainda esperamos três coisas básicas: comida, água e eletricidade", disse Damian Vera Vergara, de 68 anos.

Em Concepción, equipes de resgate notaram na segunda-feira sinais de vida nos escombros de um edifício, onde pode haver cerca de 60 mortos. Os bombeiros perfuraram paredes depois de ouvir sons que poderiam vir de sobreviventes

Um jornalista da Reuters na cidade pôde ver como as equipes de resgate trabalhavam durante a noite inteira para encontrar sobreviventes no edifício de 15 andares.

O sismo provocou fortes ondas em localidades litorâneas do Chile. Só a cidade de Constituición teve 350 mortos confirmados.

O medo de um forte golpe na economia chilena foi amenizado em parte devido ao mercado da bolsa de valores e à moeda local, que resistiram ao desastre.

Nesta terça-feira, o peso chileno abriu com alta de 0,52 por cento, impulsionado por expectativas de um aumento nos fluxos de dólares provenientes de fundos soberanos, que seriam utilizados na reconstrução do país depois do devastador terremoto.

Outros mercados lationamericanos também tiveram uma reação razoável ao tremor.

As minas do Chile, maior produtor mundial de cobre, retomaram suas operações, e o Banco Central disse que manterá as taxas de juros, já em níveis baixíssimos, para estimular a economia.

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