Chile já tem 131 militares processados por crimes durante a ditadura

Santiago do Chile, 2 set (EFE).- O número de repressores chilenos processados pelo juiz Victor Montiglio, pelo suposto envolvimento em três casos emblemáticos de violações aos direitos humanos durante a ditadura de Augusto Pinochet, subiu hoje para 131, informaram fontes judiciais e policiais.

EFE |

Segundo as fontes, o número de acusados ainda pode crescer, pois o juiz eliminou o critério da responsabilidade do comando (obediência devida) e determinou o envolvimento nos crimes até de agentes que cumpriam tarefas, como guardas ou aqueles que fizeram a transferência de detidos.

As fontes confirmaram que o juiz ditou ordens de detenção contra todos os acusados, independente de estarem enfrentando outros processos.

Todos são processados como supostos autores de sequestros qualificados (desaparecimentos) de centenas de opositores à ditadura de Pinochet, entre 1974 e 1977.

Se os processados agora se somarem aos casos de repressores já condenados pelos mesmos crimes, o número de envolvidos sobe para cerca de 150.

O general reformado Manuel Contreras, que foi o chefe da Direção de Inteligência Nacional (Dina), acumula duas penas, a de prisão perpétua e a de mais de 300 anos de prisão, além de 20 sentenças contra ele.

Além dele, os ex-brigadeiros Pedro Espinoza, Miguel Krasnoff e Marcelo Moren Brito, assim como o suboficial Basclay Zapata, entre outros, também acumulam dezenas de sentenças.

Hoje, 11 ex-membros da Marinha começaram a ser confinados em um quartel da instituição, além de 14 oficiais retirados da Aeronáutica, que foram presos em uma base aérea.

Amanhã, segundo as fontes, a previsão é que o mesmo ocorra com 32 membros da Polícia militarizada de Carabineiros, além de seis ex-integrantes da Polícia de Pesquisas (PDI, na sigla em espanhol) e dois antigos funcionários de Gendarmaria (Serviço de Prisões).

Na sexta-feira, mais de 60 oficiais do Exército devem se apresentar ao Batalhão da Polícia Militar, no setor de Peñalolén, em Santiago.

Os acusados devem se apresentar em dependências da instituição à qual pertenciam, disseram fontes ligadas ao processo à Efe.

Trata-se do julgamento do maior número de pessoas pela Justiça chilena, sobre as violações aos direitos humanos cometidas durante a ditadura de Pinochet, concretamente nas operações Condor e Colombo, assim como nos conhecidos Caso Calle Conferencia e Caso de los Trece.

A Operação Condor foi uma estratégia coordenada entre as ditaduras militares do Cone Sul para eliminar opositores nos anos 70 e início dos 80.

A Operação Colombo foi criada em 1975, para encobrir o desaparecimento de 119 opositores, que foram mostrados como mortos em veículos de comunicação estrangeiros fictícios, durante combates internos do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR, na sigla em espanhol).

O Caso Calle Conferencia consistiu no extermínio, em meados de 1976, de toda a direção do Partido Comunista que atuava na clandestinidade.

Já no Caso de los Trece, 13 dirigentes de veículos de comunicação da mesma formação desapareceram.

Viviana Díaz, líder do Agrupamento de Familiares de Detidos Desaparecidos (AFDD), considerou "importante" o trabalho do juiz Montiglio, porque fica provado que membros de todos os braços das Forças Armadas atuaram na repressão.

A dirigente lembrou, em declarações aos jornalistas, que somente em 2007 pôde conhecer o destino dado a seu pai, o dirigente comunista Víctor Díaz, uma das vítimas do Caso Calle Conferencia, que foi assassinado em um quartel de extermínio da Dina.

Já o advogado Mauricio Unda, defensor dos militares, afirmou que "não faz sentido processar pessoas que trabalhavam em uma instituição altamente hierarquizada e que, na maioria, não tinham o domínio da situação". EFE je/pd

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