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Chile investiga desaparecido político que reapareceu

Por Rodrigo Gutiérrez SANTIAGO (Reuters) - Seu nome consta num monumento às vítimas da ditadura de Augusto Pinochet, sua família enterrou um corpo pensando que fosse o dele -- e agora a Justiça chilena investiga como Germán Cofre ressuscitou.

Reuters |

Esse ex-dirigente comunista teria sido capturado pelos militares no começo da ditadura (1973-90), e nunca mais foi visto. Até que reapareceu no Chile, depois de viver 35 anos na Argentina.

Agora, a Justiça investiga por que ele foi declarado morto, por que as autoridades consulares chilenas renovaram sua carteira de identidade e por que sua família recebeu a pensão a que teria direito se ele tivesse realmente morrido.

Cofre, 63 anos, disse na quarta-feira a jornalistas ao entrar no tribunal que nunca soube da sua inclusão entre os cerca de 3.000 mortos e desaparecidos do regime. Não está claro por que ele foi para a Argentina ou por que voltou ao Chile.

"Tecnicamente ele está morto", disse o juiz-investigador Carlos Gajardo a jornalistas. "Temos de determinar sua verdadeira identidade. Não sei de outro caso (como esse)."

A esposa de Cofre morreu no ano passado, no Chile. Seus filhos, que não se lembravam dele, querem respostas.

"Ele precisa dar uma explicação perante os tribunais", disse o mais velho, Marcelo, 39 anos, ao jornal El Mercúrio. "Ele deve dar uma explicação. Ainda não recebi nenhuma", insistiu.

Marcelo contou que um tio lhe telefonou um dia, do nada, para dizer que seu pai estava vivo, na sua casa.

"Eu não o conheço", disse Marcelo. "Não sei por que nos metemos nisso. Devo desculpas por um pai que desapareceu por 35 anos e reapareceu? Somos responsáveis por isso?"

O rapaz disse que levou a notícia da reaparição do seu pai às autoridades. "Não foi o governo que descobriu isso. Eu fui pessoalmente ao Ministério do Interior e perguntei por que recebi (os restos de) um corpo em uma caixa de 50 centímetros de comprimento", disse ele.

Os parentes de vítimas reais da ditadura também querem esclarecimentos. "Isso exige investigação", disse Lorena Pizarro, da entidade Famílias dos Desaparecidos. "O Estado, os governos da Concertação (coalizão de centro-esquerda que governa o Chile há quase 20 anos) têm responsabilidades a encarar."

(Reportagem adicional de Erik Lopez, Monica Vargas e Manuel Farias)

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