Chile inicia operação para enviar alimentos a mineiros presos

Homens presos a 700 metros de profundidade enviaram prova de vida por duto; resgate pode durar meses

iG São Paulo |

Depois de reforçar o pequeno duto por onde os 33 mineiros presos há 18 dias em uma mina conseguiram se comunicar com as equipes de resgate no Chile, começa nesta segunda-feira uma operação para enviar com rapidez alimentos, água potável e outros itens para o grupo, informou Laurence Golborne, ministro da Mineração.

Um telefone com fio será instalado em um segundo duto nas próximas horas para estabelecer um contato contínuo com os trabalhadores presos na mina San José, no norte do Chile. O contato telefônico é considerado vital, uma vez que o resgate pode demorar até quatro meses.

Para o ministro chileno da Saúde, Jaime Mañalich, "o problema essencial serão as sequelas psicológicas". A fim de manter a estabilidade dos mineiros, eles manterão contato com os familiares, segundo informações do jornal chileno El Mercurio.

O ministro da Mineração indicou que as equipes trabalharam durante toda a noite para reforçar as paredes do orifício de 8 centímetros de diâmetro aberto entre a superfície e o refúgio onde estão os mineiros, a 700 metros de profundidade.

"Estamos terminando o reforço do poço. Isso vai impedir que se feche", explicou Golborne. "Depois vamos retomar o contato com eles e iniciar o envio de água com glicose e de uma série de outros elementos que permitirão mantê-los vivos", acrescentou.

Para o transporte dos itens até o fundo da mina, serão utilizados tubos de plástico azuis. A prioridade nesse momento é fazer chegar até os mineiros água, medicamentos e alimentos condensados.

nullNo domingo, o grupo conseguiu enviar por meio do duto uma mensagem informando que estavam todos bem. Segundo Golborne, operações paralelas tentarão perfurar em outros pontos "para conseguir outras vias de comunicação".

Uma câmera de vídeo que chegou ao fundo da mina comprovou que os trabalhadores - sem camisa e com capacetes - estavam em boas condições de saúde, apesar dos dias retidos após um desmoronamento na mina.

O acidente ocorreu em 5 de agosto na pequena mina de San José, de onde se extrai ouro e cobre, em pleno deserto do Atacama, cerca de 800 quilômetros ao norte de Santiago.

A partir de agora os esforços se concentrarão no resgate dos mineiros. As pessoas envolvidas no caso dizem que podem demorar até quatro meses para cavar um novo túnel e encontrar os mineiros, após a rampa principal da mina ter desmoronado.

Pinera demitiu duas autoridades da instituição reguladora da atividade mineradora do Chile e prometeu uma grande reforma na agência depois do acidente.

Grandes acidentes em minas são raros no Chile, mas o governo diz que a mina San José, cuja dona é a empresa local Compania Minera San Esteban Primera, sofreu uma série de problemas e 16 trabalhadores morreram nos últimos anos.

O Chile é o maior produtor mundial de cobre, e o acidente desencadeou um debate sobre a segurança na mineração e em outras atividades, num país que espera crescer em média 6% ao ano nos próximos quatro anos.

*Com AFP, Reuters, EFE e Ansa

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