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Chile: Frei destaca conquistas da Concertação e Piñera pede oportunidade

Santiago do Chile, 11 jan (EFE).- Os candidatos à Presidência do Chile, Eduardo Frei e Sebastián Piñera, protagonizaram esta noite o único debate do segundo turno no qual o representante do Governo destacou conquistas da aliança de esquerda Concertação e o aspirante opositor pediu que lhe deem a oportunidade de governar.

EFE |

"Vamos ser os grandes continuadores da presidente (Michelle) Bachelet na etapa que vem agora", anunciou o ex-presidente Frei (que governou entre 1994 e 2000), se apoiando na grande adesão (acima de 81%) da atual governante chilena.

Enquanto isso, o empresário Sebastián Piñera, principal acionista da companhia aérea LAN e do canal de televisão "Chilevisión", pediu uma oportunidade "para construir uma pátria maior, mais livre e mais justa, que trate seus filhos com mais carinho".

Com a esperança de convencer os eleitores que em 13 de dezembro, no primeiro turno, votaram pelo independente Marco Enríquez-Ominami, em branco ou nulo, os candidatos se submeteram durante quase duas horas a uma bateria de perguntas feitas por seis jornalistas no único confronto televisivo cara-a-cara do pleito.

Embora as pesquisas prevejam uma luta dura e as equipes eleitorais disputem cada voto, muitos analistas acreditam que o resultado do debate não vai interferir significativamente no balanço do próximo domingo.

O senador Frei, que no primeiro turno obteve 14 pontos a menos que Piñera, conquistou nos últimos dias o apoio de organizações sociais, religiosas e sindicais em uma tentativa de virar a disputa.

"Entendemos a mensagem que os chilenos nos passaram no dia 13 de dezembro. Assim como o Chile cresceu, também há problemas que devem ser corrigidos. Por isso, hoje representamos todas as forças progressistas e democráticas", ressaltou o aspirante da coalizão de centro-esquerda que governa desde o fim da ditadura de Pinochet, em 1990.

"O senador Frei já foi presidente e eu acho que não fez um bom Governo. Hoje o Chile necessita um Governo muito melhor, por isso chegou o tempo da mudança do futuro e a esperança", replicou o candidato da Coalizão pela Mudança, integrada majoritariamente por partidos da direita.

Um dos assuntos mais controvertidos foi a formação do futuro gabinete caso que Piñera ganhe as eleições, e a eventual incorporação de figuras políticas da época da ditadura.

Após assegurar que "não haverá nenhum ministro do Governo militar", Piñera especificou que "não é um delito nem um pecado ter colaborado de forma leal e honesta" com o regime de Pinochet, desde que não tenham sido cometidas violações aos direitos humanos.

Por sua parte, Frei criticou a flexibilidade laboral que, segundo sua opinião, defendem os que apoiam Piñera, e sustentou que é impossível, como propõe o candidato da oposição, criar um milhão de postos de trabalho sem o investimento do Estado.

Em matéria internacional, o representante da Coalizão pela Mudança assegurou que não cederá "nem um milímetro" do território soberano ao Peru nem à Bolívia, enquanto o aspirante governista se mostrou disposto a seguir trabalhando na atual agenda bilateral com os bolivianos, que desejam contar com uma saída para o mar.

Piñera insistiu que nos temas que nas últimas semanas se transformaram nos eixos de sua campanha: "criar um milhão de empregos, ganhar a batalha contra o crime e o narcotráfico, e melhorar de verdade a saúde e a educação".

Por sua parte, Eduardo Frei enfatizou: "fui presidente da República e sei o que é governar. Vou dedicar meu esforço pessoal e coletivo para construir um país do qual todos os chilenos possam participar, que não sejam os recursos nem os sobrenomes o gancho para ter oportunidades".

"Temos convicções, vontade e coragem para assumir as responsabilidades que o país nos entregou", destacou o candidato da Concertação.

O mais importante é "amar o Chile e trabalhar para sua grandeza", disse, rememorando o pensamento político de seu pai, o também ex- presidente Eduardo Frei Montalva, um dos governantes mais lembrados pelos chilenos e cujo suposto assassinato, que poderia ter ligação com agentes da ditadura de Augusto Pinochet, é investigado atualmente pela justiça.

Piñera também buscou o sentimento patriótico quando convocou a "todos a conseguir que o Chile seja o primeiro país da América Latina que, com muito orgulho, possa dizer que derrotou o subdesenvolvimento e a pobreza".

"Um país onde todos possamos ter oportunidades e ser felizes", enfatizou o empresário. EFE mf/fm

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