Chile: Estudantes completam um mês de greve de fome em protesto por educação

Cerca de 40 estudantes ingerem apenas líquidos; alunos e professores protestam há meses contra políticas do governo de Piñera

iG São Paulo |

AP
Estudantes enfrentam forces de segurança na capital chilena, Santiago (9/9)
Cerca 40 estudantes do ensino médio completaram nesta terça-feira um mês de greve de fome, em que ingeriram apenas líquidos, em meio a uma série de manifestações que ocorrem há meses no país para protestar contra o descaso em relação ao sistema de educação.

Nos protestos que abalaram o governo do presidente Sebatián Piñera, estudantes e professores exigem "garantias" para aceitar um diálogo com o governo. "Temos pedido aos gritos para que o senhor presidente escute os estudantes chilenos", disse uma das alunas à imprensa local.

Dos alunos que estão em greve de fome na região de Buin, periferia de Santiago, três decidiram radicalizar sua postura e anunciaram que também deixarão de consumir líquidos.

"No caso dos três jovens de Buin, a situação é bastante preocupante, pois trata-se de uma greve de fome em um estágio muito sério”, disse o ministro da Saúde, Jaime Máñalich. “Eles já perderam oito quilos e sofreram uma diminuição significativa da massa muscular, apresentando ainda baixa pressão arterial, cólicas intensas e desidratação".

Diálogo

Na segunda-feira dirigentes estudantis acenaram para a possibilidade de estabelecer um diálogo com o Congresso - algo que haviam descartado no fim de semana - e anunciaram a convocação para uma nova greve nacional nesta quinta-feira.

Os protestos estudantis no Chile têm paralisado há quase três meses grande parte do setor educativo, tanto universitário quanto do ensino médio. Os estudantes exigem educação pública gratuita e de qualidade para todos, com mudanças nas reformas aplicadas durante o governo do ditador Augusto Pinochet (1973-1990), que reduziu a menos da metade o aporte estatal à educação.

Ao longo das últimas nove semanas de mobilização de estudantes e professores – que contaram com o apoio de sindicatos - cinco grandes protestos públicos tomaram as ruas da capital e de outras cidades do país. Em resposta, o governo entregou duas propostas de mudanças no setor, que foram consideradas como "insuficientes" pelos estudantes até agora.

*Com AFP

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