Chile critica declarações de Morales e rejeita ingerência

Santiago do Chile, 4 ago (EFE).- O Governo do Chile expressou hoje sua rejeição às declarações feitas nesta segunda-feira pelo presidente da Bolívia, Evo Morales, o que considerou uma ingerência em seus assuntos internos.

EFE |

O presidente boliviano declarou ontem que está "preocupado" com a possibilidade de que a direita chegue ao poder no Chile nas eleições de dezembro, e na Argentina, onde o Governo Cristina Kirchner sofreu um forte revés no pleito legislativo.

"O Chile, uma democracia estável que se prepara para escolher seu novo presidente da República em eleições universais, reconhecidamente limpas, rejeita a ingerência de qualquer Estado em seus assuntos internos, e, portanto, as declarações do chefe do Estado da Bolívia", afirmou a Chancelaria em comunicado.

O comentário de Morales aludiu ao fato de que o candidato da oposição direitista, o empresário Sebastián Piñera, lidera as pesquisas, à frente de Eduardo Frei, candidato do bloco de centro-esquerda que governa o Chile desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet (1990).

O Governo Michelle Bachelet anunciou que expressará "por canais diplomáticos" à Bolívia sua opinião "e as devidas considerações recíprocas".

"O Governo do Chile é estritamente respeitoso da soberania dos Estados e, particularmente do princípio de não-intervenção nos assuntos de outro Estado, prática invariável que mantivemos também frente ao processo político boliviano", explicou o ministro das Relações Exteriores chileno, Mariano Fernández.

Chile e Bolívia não mantêm relações diplomáticas desde 1962, salvo um parêntese aberto na década de 1970 pelos então ditadores Augusto Pinochet e Hugo Bánzer.

No entanto, desde 2006 passam por um processo de aproximação pelas mãos dos presidentes Michelle Bachelet e Evo Morales, que aprovaram uma agenda bilateral de 13 pontos que inclui a reivindicação marítima boliviana. EFE mf/rr

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