Chile ameaça expulsar à força moradores de área vulcânica

Por Antonio de la Jara e Jorge Otaola PUERTO MONTT/FUTALEUFU, Chile (Reuters) - O Chile ordenou na quinta-feira que todos os moradores deixem a área em torno do vulcão Chaitén, ameaçando usar a força caso se recusem a fazê-lo.

Reuters |

Ainda na madrugada, depois de o vulcão expelir mais material, os militares retiraram um pequeno contingente de soldados e alguns jornalistas da zona do vulcão, no sul do país.

Mas alguns civis se recusam a deixar as duas pequenas cidades mais próximas, que foram desocupadas depois que o vulcão entrou em erupção, na semana passada, após milênios adormecido. Ele está cuspindo cinzas que chegam até Buenos Aires, a quase 2.000 quilômetros dali.

Um forte cheiro de enxofre paira na atmosfera da aldeia de Chaitén, a apenas 10 quilômetros do vulcão homônimo.

A Justiça ordenou a completa desocupação de um raio de 50 quilômetros em torno do vulcão, o que autoriza a polícia a usar a força.

'Ainda há pessoas que não estão respeitando as decisões das autoridades, que estão tentando proteger a vida delas', disse o ministro da Justiça, José Goni, a uma rádio.

Alguns civis voltaram sorrateiramente para Chaitén, e 24 continuam em Santa Bárbara, a 20 quilômetros do vulcão, segundo constatou um repórter da Reuters que saiu junto com os soldados.

O general José Bernales, chefe da polícia nacional, disse que 'não é possível garantir que até o final não sobre ninguém [...], mas faremos de tudo para garantir que absolutamente ninguém fique em Chaitén'.

A cidade é banhada por um fiorde e não tem estradas que a liguem ao norte do país. Por isso, a desocupação é feita em navios da Marinha. 'Peço a quem ainda estiver em suas casas que saia e se dirija ao cais. Ou as pessoas deixam Chaitén, ou vamos retirá-las de qualquer jeito', disse Bernales.

O governo também está orientando os moradores de Futaleufu a saírem das suas casas. Essa cidade, 160 quilômetros a sudeste do vulcão, está fora da área definida na ordem judicial, mas foi muito atingida pelas cinzas.

Alguns moradores, decididos a ficar, estão retirando a cinza dos telhados com pás. 'Não vou embora porque tenho medo de deixar as coisas para trás. Tenho de cuidar dos animais', disse o agricultor José Marciano, de 74 anos.

Muitos outros moradores, porém, preferiram ir para a vizinha Argentina.

Em Chaitén, vacas deixadas para trás pastam folhagens cobertas de cinzas, e os próprios animais têm camadas de matéria vulcânica acumulada nas costas. No chão, alguns pedaços se compactaram, ficando com aparência de cimento.

Especialistas dizem que o Chaitén -- um dos cerca de 2.000 vulcões chilenos, dos quais cerca de 500 são potencialmente ativos -- pode passar meses expelindo cinzas e anos emitindo um ronco surdo.

(Reportagem adicional de Esteban Medel, em Santa Lucia, Monica Vargas e Manuel Farias, em Santiago, e Karina Grazina, em Buenos Aires)

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