Chevron é acusada de mentir sobre câncer na Amazônia equatoriana

Quito, 22 mai (EFE).- A Frente de Defesa da Amazônia, que lidera uma ação contra a petrolífera Chevron-Texaco por poluição na Amazônia equatoriana, denunciou hoje que a companhia financiou um estudo para demonstrar que o despejo de bilhões de galões de águas tóxicas não causa câncer.

EFE |

A organização, que representa cerca de 30 mil indígenas e colonos equatorianos supostamente afetados pelas atividades da companhia, denunciou em comunicado que "a empresa que conduziu o estudo tem fortes vínculos com Samuel Armacost, membro da direção" da firma americano.

De acordo com o grupo, Armacost seria "o acionista majoritário da Exponent Inc., uma empresa de consultoria científica pró-indústria que foi contratada pela Chevron para fazer um estudo sobre as taxas de câncer na Amazônia equatoriana".

O documento, intitulado "Mortalidade por Câncer e Produção de Petróleo na Região Amazônica do Equador, 1990-2005", concluía que as taxas de câncer na área operada pela Texaco, "são consistentes com as do resto do país, e inclusive menores que as da cidade de Quito", explicou a organização.

A petrolífera americana enfrenta um processo de US$ 27 bilhões por um suposto caso de poluição ambiental na qual os litigantes reivindicam a limpeza da zona e a reparação dos danos causados à população pelas atividades entre 1975 e 1995.

No texto, os litigantes explicam que US$ 9 bilhões são para compensar os moradores locais por 1.401 mortes causadas por câncer devido à poluição, de acordo com estimativas periciais apresentadas no julgamento.

A Chevron-Texaco, por sua vez, divulgou um comunicado no qual acusa os litigantes de querer "desviar a atenção da incômoda verdade" de que as acusações feitas contra a petrolífera "estão viciadas", e os estudos "em que pretendem baseá-las são parcializados e não conclusivos".

A Frente pretende, segundo a petrolífera, "desacreditar" um estudo científico que "deixa sem sustentação as acusações contra a companhia Chevron".

Além disso, a empresa assinalou que "foi transparente na apresentação do estudo", e argumentou que a publicação do trabalho foi apoiada por especialistas que sabiam que a pesquisa tinha sido financiada pela Chevron. EFE ic/db

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