Cheney pode ter violado a lei, dizem democratas

Importantes membros do Partido Democrata dos Estados Unidos disseram, neste domingo, que o ex-vice-presidente Dick Cheney pode ter violado a lei, caso se confirme a alegação de que ele teria dado ordens expressas à CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) para esconder do Congresso um programa de inteligência, segundo relatos da imprensa americana. A existência do projeto, criado após 11 de setembro, foi mantida em segredo por oito anos.

BBC Brasil |

Detalhes do programa secreto ainda não foram divulgados, mas fontes dizem que ele não está relacionado a métodos de interrogatório ou ao polêmico projeto de vigilância interna.

A senadora democrata e presidente da Comissão de Inteligência do Senado americano Dianne Feinstein confirmou que o atual diretor da CIA, Leon Panetta, contou ao Congresso que abandonou o programa e o cancelou quando soube da sua existência, em junho.

Segundo Feinstein, Panetta também teria dito que Cheney estava por trás do segredo.

O ex-vice-presidente ainda não se pronunciou sobre o assunto.

'Problema grave'
Em entrevista neste domingo ao canal de televisão Fox News, Feinstein disse que Cheney e outros membros do governo do ex-presidente George W. Bush podem ter violado a lei, e acrescentou que o Congresso nunca deveria ter sido excluído das informações, mesmo após o trauma dos ataques de 11 de setembro de 2001.

Segundo informações do jornal The New York Times, o programa teria sido lançado por agentes antiterrorismo pouco após os ataques e envolveria planejamento e treinamento, mas nunca teria funcionado de forma plena.

"Trata-se de um problema grave. Eu entendo as necessidades daquela época, mas acredito que você enfraquece seus motivos se age fora da lei", afirmou Feinstein.

A CIA se negou a comentar o possível envolvimento de Cheney.

"Não faz parte das práticas da agência discutir o que foi ou não foi dito em uma reunião sigilosa", disse o porta-voz Paul Gimigliano.

"Quando uma unidade da CIA trouxe este assunto ao conhecimento do diretor Panetta, foi com a recomendação de que ele fosse discutido de forma apropriada com o Congresso. Esta também era sua visão, e ele tomou ações rápidas e definitivas para colocar isso em prática."
Novas regras
Segundo a correspondente da BBC em Washington, Kim Ghattas, existe uma discussão entre os altos funcionários dos serviços de inteligência sobre a importância do programa mantido em sigilo.

No entanto, segundo Ghattas, o debate abora é sobre se o governo Bush violou ou não a lei.

As alegações vêm à tona em um momento em que os democratas estão tentando aprovar novas regras que aumentariam o número de parlamentares que tem conhecimento de operações secretas.

A Casa Branca está ameaçando vetar a lei, por medo de que o sigilo das operações fique comprometido

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