Boris Klimenko. Kiev, 5 set (EFE).- O vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, elogiou hoje a postura valente da Ucrânia de apoiar a Geórgia na crise do Cáucaso e assegurou que a medida foi um exemplo para outros países.

Cheney fez estas declarações em um discurso à imprensa ao término de conversas a portas fechadas com o presidente ucraniano, Viktor Yushchenko.

"Os EUA estão profundamente interessados em seu bem-estar e segurança", disse o vice-presidente americano, que ressaltou que Washington e Kiev, durante as duas últimas décadas, trabalharam juntos para garantir "a independência, a soberania e a integração (da Ucrânia) na comunidade internacional".

O vice-presidente acrescentou que hoje os EUA declaram sua "firme decisão" de fortalecer os vínculos entre ambos os países mirando o futuro.

Cheney, da mesma forma que fez nesta quinta-feira durante sua visita a Tbilisi, disse que "as ações da Rússia no conflito com a Geórgia põem em dúvida sua condição de parceira internacional confiável".

Já o chefe do Estado ucraniano disse que o conflito russo-georgiano novamente demonstrou que o único modelo alternativo que pode garantir a segurança no país é o sistema de segurança coletiva da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

"Os aliados na cúpula de Bucareste declararam que a Ucrânia será membro da Otan. Essa declaração mantém seu vigor", disse Cheney, que acrescentou que o próprio povo ucraniano é quem deve fazer a opção, e que "nenhum Estado alheio tem direito a vetá-la".

Ele destacou que a Ucrânia é o único país que, sem ser membro da Otan, participa de todas as missões da Aliança, "do Afeganistão ao Kosovo".

A Rússia manifestou sua rejeição à entrada da Ucrânia, como de outras antigas repúblicas soviéticas, na Otan, por considerar que a aproximação das estruturas militares da Aliança Atlântica às suas fronteiras representa uma ameaça para a segurança nacional.

Ao contrário da Geórgia, na Ucrânia os defensores da entrada do país na Otan são minoria, segundo pesquisas.

Yushchenko expressou sua preocupação com a presença da base naval da frota russa do mar Negro em território ucraniano, instalações que Kiev aluga para Moscou, e cujo contrato vence em 2017.

"Claro, nos preocupa o emprego da força militar da Frota do Mar Negro pela Federação Russa, porque este tipo de mecanismo arrasta a Ucrânia para situações bélicas", disse Yushchenko em alusão à participação de navios russos no conflito da Geórgia.

Para Kiev, enfatizou o presidente ucraniano, o reconhecimento da Rússia da independência da Ossétia do Sul e da Abkházia é inaceitável. "Isto não responde aos nossos interesses nacionais", acrescentou.

Na reunião, Yushchenko e Cheney falaram também da situação política interna da Ucrânia, conversa em que, segundo o presidente ucraniano, começou por iniciativa de seu hóspede.

Cheney se reunira antes com a primeira-ministra ucraniana, Yulia Timoshenko, com quem Yushchenko praticamente rompeu relações depois que o partido dela apoiou, esta semana, emendas legais que diminuem os poderes do chefe de Estado.

As diferenças entre o presidente e a primeira-ministra levaram à ruptura da coalizão parlamentar de maioria, por isso não se descarta a dissolução do Parlamento unicameral e a conseguinte convocação de eleições legislativas antecipadas.

Cheney chegou à Ucrânia procedente de Tbilisi, onde destacou o compromisso de seu país com a reconstrução econômica e a integridade territorial da Geórgia.

Na capital georgiana, o vice-presidente classificou a atuação de Moscou no conflito de "tentativa ilegítima e unilateral de modificar pela força" as fronteiras da Geórgia, algo que "foi universalmente condenado pelo mundo livre", comentou. EFE bk/fh/rr

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