Cheney defende seu papel na Casa Branca e decisões polêmicas do Governo

Washington, 21 dez (EFE) - O vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, lançou hoje uma enérgica defesa de seu papel na política da Casa Branca dos últimos oito anos, que inclui os grampos telefônicos e o conflito no Iraque. Em uma entrevista à emissora Fox News, o vice assegurou que, apesar da grande impopularidade com a qual o Governo de George W. Bush se despedirá em janeiro, não se arrepende de nada, sequer do tratamento aos suspeitos de terrorismo que outros consideram tortura. Neste trabalho, a pessoa acaba esgotando sua popularidade antes ou depois, mas eu me sinto muito confortável com a situação na qual estamos e o que alcançamos, sustentou. Dado o tipo de conflito o qual enfrentamos, nos encontramos em uma situação na qual acho que deve-se exercer uma liderança firme. O que fizemos nesta Administração foi exercer esse tipo de autoridade, argumentou Cheney.

EFE |

Após os atentados de 11 de setembro de 2001 e a declaração de Bush de uma "guerra contra o terrorismo", o presidente agiu de forma apropriada em assuntos como as escutas telefônicas em território americano, de acordo com Cheney.

Em época de guerra, "é completamente justificado estabelecer um programa de vigilância dos terroristas para poder interceptar as comunicações de gente que se comunica com terroristas fora dos EUA", explicou o vice-presidente.

"Acho que é possível manter um programa de interrogatórios contundente a respeito de presos de grande valor", declarou, em alusão às práticas autorizadas pelo Governo dos EUA contra detidos para extrair informação e que incluíram simulações de afogamento.

"Todos eles são passos que tomamos que creio que o presidente estava plenamente autorizado a tomar e forneceram dados de inteligência muito valiosos, o que foi chave em nossa capacidade para derrotar a rede terrorista Al Qaeda nesses últimos sete anos", insistiu Cheney.

Sobre o líder da rede terrorista Al Qaeda, Osama bin Laden, Cheney disse que, "evidentemente, adoraríamos capturá-lo. Ainda faltam 30 dias", ressaltou.

O vice defendeu seu influente papel no Governo, que, de acordo com seu sucessor, o democrata Joe Biden, excedeu as competências constitucionais.

"Se ele quer tirar a importância do escritório do vice-presidente, evidentemente é sua decisão", afirmou, em referência a Biden.

"O presidente eleito, Barack Obama, decidirá o que quer de um vice-presidente e, pelo que estão falando, parece que não espera que (Biden) tenha um papel tão destacado quanto eu tive em minha época", comentou.

O vice-presidente revelou ainda que não concordou com a destituição, em 2006, do ex-secretário de Defesa Donald Rumsfeld, um dos arquitetos da Guerra do Iraque.

Bush "nem sempre aceita meus conselhos", declarou Cheney, que se define como "um homem de Rumsfeld".

"Eu ajudei a incorporá-lo ao Governo e acho que fez um bom trabalho", destacou. EFE mv/db

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