O vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, defendeu nesta segunda-feira a utilização do submarino ou simulação de afogamento nos interrogatórios contra suspeitos de terrorismo.

As declarações de Cheney à rede de televisão ABC podem ser interpretadas como a admissão pública de mais alto nível da utilização de métodos questionáveis contra suspeitos de terrorismo durante a administração Bush.

Perguntado pela ABC se considerava apropriado o uso do "submarino" entre os métodos para se obter a confissão de Khaled Cheikh Mohammed, suposto cérebro dos ataques do 11 de Setembro, Cheney respondeu que "sim".

Até o momento, o governo americano alegava segredo de Estado para não comentar as denúncias do uso do submarino nos interrogatórios, o que para muitos é uma forma de tortura.

O vice-presidente defendeu a técnica como "notavelmente bem-sucedida" e acrescentou "que os resultados falam por si sós".

Guantánamo e Iraque

Sobre Guantánamo, Cheney disse que a controvertida prisão americana, localizada em território cubano, deve ser fechada somente quando "chegar ao fim a guerra contra o terror".

O vice americano afirmou que "ninguém sabe quando terminará a luta contra o terrorismo", e defendeu a prisão alegando que os Estados Unidos sempre exerceram "o direito de capturar inimigos e retê-los até o fim do conflito em guerras anteriores".

Cheney também minimizou a importância da informação errônea de que o regime de Saddam Hussein contava com armas de destruição em massa, divulgada às vésperas da invasão ao Iraque em 2003.

Rejeitou expressamente a teoria de que os Estados Unidos não teriam invadido o Iraque se Washington soubesse que Saddam não contava com um arsenal de armas de destruição em massa.

"Saddam Hussein ainda tinha a capacidade de produzir armas de destruição em massa. Tinha a tecnologia, tinha o pessoal, tinha os materiais necessários", afirmou.

Além disso, "Saddam tinha a intenção de retomar a produção (dessas armas), uma vez que as sanções internacionais fossem suspensas", sustentou.

"Ele era um protagonista malvado, e o Iraque e o mundo estão em melhor posição com Saddam fora. Por isso, acredito que tomamos a decisão correta", alegou.

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