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Cheney acusa Rússia de invadir Geórgia e confirma interesse de EUA no Cáucaso

Farid Gajramánov. Baku, 3 set (EFE).- O vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, acusou hoje a Rússia de invadir a Geórgia, enquanto reafirmou o profundo interesse de Washington na segurança da região do Cáucaso.

EFE |

"Reunimo-nos hoje à sombra da recente invasão russa da Geórgia", declarou Cheney em entrevista coletiva conjunta em Baku com o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev.

Cheney, que iniciou neste país banhado pelo mar Cáspio uma viagem que também o levará à Geórgia e à Ucrânia, afirmou que o presidente dos EUA, George W. Bush, o enviou ao Cáucaso com uma mensagem "clara e simples".

"Os EUA têm um profundo interesse no bem-estar e na segurança de vocês", afirmou em uma demonstração de que Washington não está disposta a deixar seus aliados na região expostos às pressões da Rússia.

Coincidindo com a chegada de Cheney a Baku, o Governo dos EUA anunciou hoje em Washington que destinará US$ 1 bilhão à reconstrução da Geórgia após o conflito com a Rússia.

Cheney seguirá amanhã para Tbilisi, onde se reunirá com o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, principal aliado americano na região desde sua ascensão ao poder na Revolução das Rosas, em 2003.

A expectativa agora é que Cheney expresse ao líder georgiano seu apoio diante das ações agressivas da Rússia, cujas tropas destruíram a maior parte das infra-estruturas civis e militares no norte, no noroeste e no litoral do Mar Negro.

Além disso, também apoiará a integridade territorial da Geórgia, cujas regiões separatistas da Abkházia e da Ossétia do Sul foram reconhecidas como Estados independentes pela Rússia.

Os EUA forneceram durante as últimas semanas a Tbilisi mais de mil toneladas de ajuda humanitária para que se superem as seqüelas da guerra.

Além disso, o comandante supremo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para a Europa, o general americano John Craddock, e a chefe da agência americana para o desenvolvimento internacional (Usaid, na sigla em inglês), Henrietta Fore, visitaram o país para se inteirarem de suas necessidades.

A Rússia acusou os EUA de fornecerem nas últimas semanas armamento para a Geórgia em forma de ajuda humanitária para que este país possa reconstruir sua Força Armada, o que o Pentágono negou hoje taxativamente.

O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, acusou também Washington de dar "carta branca" a Saakashvili e instou os EUA a "revisarem" suas relações com Tbilisi.

Enquanto isto, o ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou hoje que Moscou seguirá "atentamente" a primeira visita do vice-presidente americano à região.

No final de sua visita à Geórgia, Cheney seguirá para a Ucrânia, outro dos aliados de Washington na região e cujo presidente, Viktor Yushchenko, apoiou abertamente Tbilisi em seu conflito com Moscou.

Em Kiev o vice-presidente americano expressará apoio a Yushchenko, que enfrenta uma nova crise de Governo por causa das lutas internas no seio da coalizão pró-ocidental.

Também expressará seu apoio às ambições das autoridades ucranianas de se integrarem à Otan, à qual se opõem por enquanto várias chancelarias européias, entre elas Alemanha, França e Espanha.

Por outro lado, Cheney aproveitará sua presença na região para impulsionar os projetos energéticos de fornecimento para o Ocidente de hidrocarbonetos da região da Ásia Central e do Cáspio.

"Os EUA acreditam firmemente que as nações da Europa, incluída a Turquia, devem trabalhar juntas com o Azerbaijão e outros países do Cáucaso e da Ásia Central em rotas adicionais para as exportações de energia", declarou.

Cheney, que tentará aproveitar a atual desconfiança com a Rússia na região para impulsionar o projeto Nabucco - também patrocinado pela União Européia -, afirmou que o objetivo era "garantir o livre fluxo de recursos".

Por outro lado, segundo alguns analistas, a guerra na Geórgia poderia afugentar os investidores por causa da falta de garantias de segurança para a operação na região. EFE fg/fal

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