Cheia do rio Mississipi já ameaça cidades de Illinois e Missouri

Jorge Bañales Washington, 18 jun (EFE).- O leito do rio Mississipi, cuja cheia inundou e devastou o sudeste de Iowa, avançou hoje sobre nove aterros artificiais, alagou terras dedicadas à agricultura e agora ameaça cidades dos estados americanos de Illinois e Missouri, informaram as autoridades.

EFE |

Embora o céu tenha amanhecido claro na maior parte do meio oeste dos Estados Unidos, onde, desde a semana passada, as inundações cobriram mais de dois milhões de hectares de plantações, o serviço meteorológico do país disse que as chuvas podem voltar a castigar Iowa e Illinois a partir de amanhã.

O presidente americano, George W. Bush, que na quinta-feira visitará as áreas mais atingidas pelas piores chuvas do meio oeste em 15 anos, já mandou as agências federais fornecerem ajuda aos produtores rurais e abrigo aos que perderam ou tiveram que deixar suas casas.

Além de arruinarem milhares de hectares de cultivo em Iowa, Illinois e Missouri, as inundações contribuíram para o aumento dos preços de produtos como o milho, que esta semana alcançou cotações recordes no mercado futuro de Chicago.

Na região oeste de Illinois, cerca de 70 quilômetros ao sul da localidade de Gulfport, as águas abriram valas em dois aterros e alagaram áreas de cultivo perto de Meyer, informou a Agência de Emergências do Condado de Adams.

Já em Burlington, no estado de Iowa, o alagamento de um aterro junto ao rio Mississipi deixou aliviados os habitantes de Grafton, no vizinho Illinois, já que a região corria sérios riscos de ser inundada.

"É horrível dizer isso, mas o valão no aterro de lá ajudou-nos aqui", disse ao jornal "St. Louis Post-Dispatch" Greg Medford, morador de Jerseyville e que ontem foi a Grafton ajudar na colocação de sacos de areia ao redor da loja de seu pai.

Ainda em Illinois, as autoridades providenciaram a evacuação dos quase 50 habitantes da localidade Meyer, onde as águas devem inundar aproximadamente 125 quilômetros quadrados de terras.

"Todos os habitantes foram evacuados e estão a salvo", disse Julie Shepard, da Defesa Civil do Condado de Adams, ao jornal "Herald Whig", de Quincy, em Illinois.

"É algo que destrói o coração. As pessoas trabalham duro e por tanto tempo e tudo fica reduzido a nada", disse à mesma publicação Glenn Orr, que passou quase toda a vida plantando em uma fazenda da área de Meyer.

Orr, de 81 anos, sobreviveu a inundações maiores, como as de 1944, 1951, 1960 e 1993. E, mesmo tendo se mudado com sua esposa para terras mais altas depois da última grande cheia, ontem ele se dirigiu até o aterro da região para ajudar nos esforços de contenção.

"Já tenho muitos anos e não posso fazer muito mais do que isso", disse ao jornal. "Mas já estive lá. E, simplesmente, há muita água".

Por causa da cheio do Mississipi, a maior via de navegação fluvial dos EUA, as autoridades também reforçaram os alertas para que os moradores do Condado de Lincoln, no Missouri, deixem suas casas.

Andy Binder, porta-voz da Defesa Civil local, disse que a expectativa é que várias áreas em Foley, Winfield, Elsberry e Old Monroe fiquem debaixo d'água ainda esta semana.

Em várias partes do Missouri e de Illinois, milhares de habitantes, soldados da Guarda Nacional, bombeiros e até presidiários continuavam hoje empilhando sacos de areia e madeiras em diques improvisados para conter a inundação.

O Corpo de Engenheiros do Exército, que opera as eclusas, comportas, diques e represas dos rios americanos, identificou pelo menos 26 aterros, com 116.000 hectares de terras de cultivo, já inundados ou prestes a serem tomados pela água.

No Missouri, o governador Rod Blagojevich mobilizou quase mil de soldados da Guarda Nacional e cerca de 200 detentos para ajudarem a amontoar sacos de areia em Clarksville, Canton, Luisiana e no Condado de Marion. EFE jab/sc

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