Exultantes, dezenas de milhares de católicos, em transe, misturados a uma multidão de curiosos, se aglomeravam nesta quinta-feira no cais do porto de Sydney para assistir à chegada por mar do Papa Bento XVI.

No meio de uma frota de 13 embarcações, escoltadas por membros dos serviços de segurança em jet-skis, o Papa chegou de barco à Baía de Sydney ensolarada, passando diante da célebre ópera e da Harbour Bridge.

Mais de 150.000 fiéis, agitando bandeiras, acolheram Bento XVI, que preside, a partir desta quinta-feira, as celebrações das Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), com gritos e vivas, enquanto o Sumo Pontífice descia de uma luxuosa embarcação.

Já em terra, foi saudado por cantos e danças aborígenes, uma homenagem reservada a grandes personalidaes.

Sentada à sombra de um arco de Harbour Bridge, Verena Reind, 17 anos, vinda da Alemanha, não escondia sua alegria. "Tudo isso é realmente arrebatador", lançou ela.

Para esta cerimônia, a primeira desde a chegada de Bento XVI domingo, na Austrália, o fervor era palpável. Mais de 350.000 pessoas estiveram nas ruas de Sydney para saudá-lo.

Antes de entrar no yatch, no bairro Rose Bay para uma travessia de 45 minutos, e depois de um discurso diante de peregrinos reunidos em Barangaroo, leste da cidade, o Papa passou em revista a guarda de honra.

Também se encontrou com representantes da tribo aborígene de Garigal, os proprietários tradicionais de uma parte do porto de Sydney, e um deles lhe ofereceu folhas de seringueira, a árvore da borracha.

Ao lado de um jovem aborígene com o corpo e o rosto pintados e de representantes da Igreja australiana, o Papa sentou-se numa cadeira colocada na proa da embarcação para atravessar a baía de Sydney.

Sob um belo sol de inverno, cardeais e bispos, assim como um aborígene vestido com um casaco em pêlo de canguru, beijaram o anel papal.

Com uma capa vermelha que a todo momento era levantada por uma forte brisa, um Bento XVI radiante saudou as pessoas que iam ao seu encontro em algumas embarcações, iniciando sua travessia transmitida ao vivo pela TV australiana.

Uma multidão de peregrinos australianos e estrangeiros, aos quais se juntaram curiosos, observados atentamente por um grande número de policiais, tomaram de assalto durante toda esta quinta-feira as ruas próximas ao porto.

Dezenas de milhares de jovens católicos se acotovelavam tentando se colocar nos melhores pontos para receber o Papa, cantando hinos samoanos ou gritando "Aussie, Aussie, oi, oi, oi", o grito de guerra dos australianos.

As Jornadas Mundiais da Juventude, que têm como objetivo reforçar a fé dos jovens católicos, são celebradas a cada dois ou três anos desde 1986 em uma cidade diferente.

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