Chegada de Betancourt à França é marcada por promessas de luta por reféns

Paris, 4 jul (EFE).- A franco-colombiana Ingrid Betancourt foi hoje calorosamente bem-recebida na França, onde obteve do presidente francês, Nicolas Sarkozy, e daqueles que se mobilizaram por ela a promessa de que continuarão lutando pela libertação dos outros reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

EFE |

"Estou há sete anos sonhando com este momento (...). Devo tudo à França", disse a ex-candidata à Presidência da Colômbia no aeroporto militar de Villacoublay, nos arredores de Paris, onde desembarcou de um avião oficial francês junto com parentes.

"Esperávamos por você há muito tempo (...). Bem-vinda. A França a ama e está feliz", lhe disse Sarkozy, que, com a mulher, Carla Bruni, esperava pela ex-refém ao pé da aeronave.

Depois de abraçar e conversar com o grupo, o chefe de Estado e a heroína do dia se aproximaram dos microfones.

Betancourt, que vestia blazer preto e blusa branca, impressionou Sarkozy por seu "sorriso e sua força", uma constante nas imagens que percorreram o mundo desde que ela e outros 14 reféns das Farc foram libertados há dois dias em uma operação do Exército colombiano.

Uma operação "extraordinária, perfeita e impecável", sem um só disparo, que é também "fruto de vossa luta", disse ela.

Segundo a franco-colombiana, foi a oposição da França a uma operação militar capaz de colocar em risco a vida dos reféns que levou o Governo da Colômbia a adotar uma "estratégia diferente, fruto de uma reflexão comum entre franceses e colombianos".

"Você salvou minha vida", disse Betancourt, para quem foi alcançado o que parecia "impossível": que "todas as contradições" terminassem nesse "consenso extraordinário no qual prevaleceram a inteligência e o amor".

A declaração foi uma alusão velada às diferenças entre França, que privilegiava a negociação com as Farc - inclusive a promovida pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez -, e o chefe de Estado da Colômbia, Álvaro Uribe, defensor da estratégia militar.

O Executivo colombiano negou hoje que a operação tenha sido uma montagem ou que tenha pago um resgate de US$ 20 milhões com a ajuda dos EUA, como noticiado por uma rádio suíça.

Na entrevista coletiva, Betancourt também não deu crédito a essas informações.

Diante da imprensa, como tinha feito antes em uma recepção no Palácio do Eliseu, Betancourt deixou claro que sua prioridade é lutar pela libertação dos que "permanecem na selva em poder das Farc".

Além disso, pediu a Sarkozy e a todos os presentes que continuem empenhados nessa luta.

"A França não deixará a luta", prometeu o chefe de Estado, que reiterou sua oferta de acolher os guerrilheiros que abandonarem a guerrilha.

Por outro lado, acrescentou que, "para os que continuam sendo solidários aos seqüestradores, não há esperança (...). A França não poderá (fazer) nada".

O presidente francês contou ainda que irá à América Latina "falar de tudo isso" e agradecer a seus colegas de Colômbia, Venezuela, Equador e Argentina: "Um continente inteiro se mobilizou por Ingrid Betancourt".

Já a ex-refém pediu que as Farc que sejam "boas perdedoras". Os rebeldes "perderam" e talvez seja a hora de se "reajustarem", disse.

"Todos os colombianos querem estender a mão sem rancor a todos os que fazem parte das Farc", mas "não estamos dispostos a continuar participando da farsa" que a guerrilha quer encenar para o mundo, "fingindo ser uma organização (que luta) pelo bem da Colômbia", afirmou.

Betancourt, que disse ter "muita ambição" pela Colômbia e uma grande vontade de atuar, declarou, no entanto, que não tem "projetos pessoais" políticos.

Seu plano imediato é se submeter amanhã a uma bateria de exames médicos em um hospital militar de Paris e passar muito tempo com os filhos. EFE ao/sc

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