Chegada da recessão à Europa já não deixa dúvidas

A transformação da crise financeira em recessão econômica na zona do euro já não deixa mais dúvidas de sua presença, e deve levar o Banco Central Europeu (BCE) a baixar rapidamente suas taxas de juros numa tentativa de quebrar este círculo depressivo.

AFP |

Em meio a outro dia negro para os mercados financeiros, a última má notícia é que a atividade do setor privado recuou a um ritmo recorde na zona do euro, superando as estimativas mais pessimistas.

O índice PMI, composto pela atividade dos setores manufatureiros e de serviços na zona do euro alcançou em outubro seu nível mais baixo desde a criação do indicador, em 1998.

"A crise financeira se transformou rapidente em crise econômica", resumiu Chris Williamson, economista chefe da companhia Markit, responsável pelo cálculo do índice.

O Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro já registou uma queda de 0,2% no segundo trimestre.

A chegada da recessão, definida tecnicamene por dois trimestres consecutivos de retrocesso do PIB, deve ser oficialmente confirmada no dia 14 de novembro, quando o instituto europeu de estatísticas Eurostat publicar as cifras para o terceiro trimestre de 2008.

Para o economista Howard Archer, da Global Insight, "a questão já não é saber se a zona do euro vai entrar em recessão, e sim qual será a intensidade e a duração desta".

Esta recessão pode ser mais grave do que o previsto, apesar da desvalorização do euro, já que as exportações despencam devido à desaceleração econômica mundial, que atingiu em cheio dos Estados Unidos aos países emergentes.

O maior parceiro comercial da zona do euro, o Reino Unido, anunciou nesta sexta-feira uma contração de seu PIB no terceiro trimestre (-0,5%) pela primeira vez em 16 anos.

Esta queda da atividade se manifesta no cotidiano das companhias com planos de desemprego temporário por razões técnicas ou com a supressão direta de postos de trabalho.

As gigantes francesas do automóvel PSA Peugeot-Citroën e Renault anunciaram uma paralisação prolongada de sua produção, medida tomada também pela ArcelorMittal, líder mundial da siderurgia.

"Estamos em um período no qual, sem dúvida, os mercados estão encolhendo, e para evitar uma brutal degradação da situação da companhia, devemos gerenciar os estoques de produção de forma muito rígida", explicou um porta-voz da Renault.

Neste contexto, os índices de desemprego voltaram a subir. Na Espanha, os 11,3% registrados no treceiro trimestre é o percentual mais alto desde 2004.

Para apoiar as empresas, os governos anunciam diversas medidas de ajuda, embora seja notório que seu impacto não deve ser sentido de imediato.

Por causa disso, muitos acreditam em uma redução rápida das taxas de juros por parte do BCE.

A instituição monetária, com sede em Frankfurt, já havia diminuído em meio ponto percentual sua principal taxa no dia 8 de outubro, situando-a em 3,75%, na esteira de uma ação coordenada com outros grandes bancos centrais do mundo.

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