O tremor de 8,8 graus na escala Richter que atingiu o Chile no sábado e os abalos que se seguiram já deixaram pelo menos 708 mortos, segundo um novo balanço divulgado pelo governo.


    • A maior parte das mortes (541) ocorreu na região do Maule. Em Bio-Bio morreram 64 pessoas e outras 103 restantes em seis diferentes regiões do país. De acordo com a presidente Michelle Bachelet , cerca de dois milhões de pessoas foram afetadas de alguma forma pelo tremor, que já é considerado o maior dos últimos 50 anos.

      Equipes de resgate usam pás e marretas para tentar encontrar sobreviventes em meios aos escombros. "Passamos a noite toda trabalhando, quebrando paredes. O maior problema é combustível, precisamos de combustível para manter as máquinas operando e água para as pessoas", afirmou o comandante da equipe de resgate, Marcelo Plaza.

      Bachelet declarou zonas de catástrofe as regiões de Maule, Bio Bio, O'Higgins, Araucanía, Valparaíso e Metropolitana, que concentram 80%da população do país.

      Danos e prejuízos

      Cerca de 1,5 milhão de residências foram danificadas, em um duro golpe à infraestrutura do maior produtor de cobre do mundo e uma das economias mais estáveis da América Latina.

      O prejuízo econômico causado pelo desastre estaria entre 15 e 30 bilhões de dólares informou a empresa de análise se risco Eqecat.

      Em cidades costeiras, como Talcahuano, perto de Concepción, tsunamis gerados pelo tremor destruíram instalações portuárias e a infra-estrutura próxima do mar.

      Em Curicó, a 180 km ao sul de Santiago, cerca de 90% do centro histórico da cidade foi destruído.

      Estradas e pontes foram destruídas em todo o país. Em Santiago, o tremor arrancou varandas de edifícios, derrubou pontes, deixou fábricas em chamas e moradores desabrigados e sem eletricidade e sistema telefônico. Os carros viraram como se fossem de brinquedo. Além disso, pelo menos três hospitais desabaram.

      A cidade de Concepción, que tem cerca de 670 mil habitantes e está a 115 quilômetros de distância do epicentro do terremoto, linhas de energia foram derrubadas e escombros se espalham em meio a edifícios destruídos. 

      O terremoto também causou pânico no balneário de Viña del Mar, onde milhares de chilenos desfrutavam do último fim de semana das férias de verão.

      AP
      Homem olhas destroços de casa em Pelluhue, a 200 km de Santiago 

      Saques

      A polícia está se mobilizando para conter os saques em cidades como Concepción , o centro urbano mais próximo do epicentro (90 km).  A prefeita da cidade, Jacqueline van Rysselberghe, disse que o município ainda não recebeu a prometida e necessária ajuda de Santiago. "A situação está fora de controle", afirmou.

      A polícia usou bombas de gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar uma multidão que corria com pacotes de comida e produtos eletrônicos de um supermercado. Imagens da televisão mostraram pessoas enchendo carrinhos com produtos. (Veja imagens dos saques aqui )

      Aeroporto

      O aeroporto internacional da capital chilena foi fechado. Os voos, quase todos de longa distância e na maioria procedentes de cidades dos Estados Unidos e Europa, são desviados para aeroportos na Argentina, principalmente para a cidade de Mendoza. Neste domingo, alguns voos pousaram no local, que está retomando as atividades aos poucos.

      Brasileiros

      Não há informações, até o momento, sobre brasileiros mortos ou feridos no terremoto, segundo a Embaixada Brasileira no Chile. Neste domingo, um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) pousou em Brasília trazendo 12 brasileiros , sendo nove civis e três militares,  que estavam no país.

      Muitos brasileiros que estão no Chile relataram momentos de pânico durante o tremor. Morador de Embu (SP),  Claudio Dias  contou que ele e a mulher estavam dormindo em um hotel em Santiago quando o tremor os acordou. "A sensação era de que uma enorme locomotiva estava passando por cima do telhado, provocando um violento tremor", contou.

      Johanna Helm , arquiteta de Porto Alegre (RS), decidiu se preparar para os abalos que se seguiriam. "As mochilas ficaram ao lado da porta, com telefones, dinheiro, água, tudo o que fosse necessário caso acontecesse algo mais grave depois", afirmou.

      Em nota, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que manifesta "profunda preocupação com impacto do terremoto que abalou o Chile" e disse que "expressa sua disposição de prestar toda ajuda necessária ao país e ao povo chileno".

      Custo humano

      O terremoto foi o quinto mais forte desde 1900, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos. Mas, apesar da destruição, o número de mortos é muito menor que o do terremoto que devastou o Haiti em janeiro.

      Especialistas disseram que o Chile, localizado em uma das zonas mais sísmicas do planeta, estava melhor preparado.

      Ainda assim, dezenas de pessoas continuam desaparecidas, principalmente em Juan Fernández, uma ilha a 600 quilômetros da costa chilena, onde um povoado foi arrasado por ondas que invadiram até 300 metros de terra firme.

      O Chile, localizado na intersecção de duas placas geológicas, foi arrasado no passado por outros terremotos. Muitos lembram o tremor de magnitude 9,6 que devastou a cidade de Valdivia em 1960, o maior já registrado.

      *Com informações das agências BBC, Reuters e AP


      *Com informações das agências BBC, Reuters e AP

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