BRUXELAS - Os chefes de Estado-Maior dos países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) expressaram, nesta quinta-feira, que os últimos incidentes diplomáticos não devem ser obstáculo para a recuperação das relações militares com a Rússia, interrompidas desde o conflito com a Geórgia, em agosto do ano passado.

A postura sobre o estado dos vínculos com Moscou foi relatada à Agência Efe por fontes diplomáticas presentes em um debate dos militares responsáveis pela Otan. Os representantes russos não compareceram à reunião em protesto contra o exercício militar que a organização iniciou na Geórgia nesta quarta-feira.

O presidente do Comitê Militar da Otan, almirante Giampaolo di Paola, destacou em entrevista coletiva anterior ao citado encontro que o organismo quer manter relações normais com a Rússia e não tem nenhuma intenção de "voltar à Guerra Fria".

Os exercícios conjuntos e de cooperação estavam prestes a ser retomados. No entanto, as tensões provocadas pela presença de tropas da Otan na Geórgia e a posterior expulsão de dois diplomatas russos da entidade por suspeita de espionagem frearam a reconciliação.

Segundo as fontes consultadas, a vontade geral é de que este processo siga adiante e de que isso comece a acontecer na próxima reunião de ministros de Defesa da Otan, em junho.

Por enquanto, o Comitê Militar da entidade se reuniu, nesta quinta-feira, com responsáveis militares dos dois países que mais complicam as relações com os russos: Ucrânia e, principalmente, a Geórgia.

O representante georgiano assegurou que não há nenhuma conexão entre a recente rebelião militar sufocada em seu país e os exercícios aliados que começaram no dia seguinte.

Esta afirmação se contradiz com as primeiras declarações do governo de Tbilisi, nas quais asseguravam que "os organizadores do motim tinham reconhecido que seu principal objetivo era abortar as manobras militares da Otan na Geórgia".


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O almirante di Paola afirmou que o georgiano tinha comunicado a organização que "não há nenhuma conexão de nenhum tipo entre o exercício da Otan" e a rebelião.

Segundo di Paola, o ocorrido está ligado "a pessoas que já tinham causado problemas no passado".

De acordo com fontes diplomáticas, são oficiais dissidentes que já tinham sido punidos anteriormente.

Além disso, o representante georgiano descreveu os problemas de seu Exército e reconheceu que foram conscientes de suas carências quando enfrentaram os russos em agosto, segundo as citadas fontes.

Por outro lado, di Paola assegurou que não há nenhuma decisão tomada sobre uma mudança de estrutura ou de tamanho na missão da Otan no Kosovo, onde a situação geral é "estável".

"Isto é um processo guiado politicamente", disse o almirante, lembrando que os ministros da Defesa da Otan abordarão uma possível redução da missão no Kosovo apenas na reunião de junho. EFE met/bba

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