Chefes de Estado tentam avançar na integração do Mercosul

Tucumán (Argentina), 1 jul (EFE).- Sete chefes de Estado já chegaram à cidade argentina de Tucumán para assistir à 35ª Cúpula do Mercosul e de países associados, na qual já se avançou na integração produtiva e se espera uma condenação à política migratória da União Européia (UE).

EFE |

A chegada dos presidentes foi precedida por uma reunião de chanceleres, ministros da Economia e governadores de Bancos Centrais dos membros do bloco fundado em 1991 por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, e que tem a Venezuela em processo de adesão.

Nessa reunião, os ministros aprovaram a criação de um programa de integração entre as empresas da região e a constituição de um fundo de garantias de ajuda às pequenas e médias empresas, duas iniciativas que buscam estimular a produção de um bloco que até agora tinha uma aparência eminentemente comercial.

Também foram aprovados ontem novos projetos de infra-estrutura no Paraguai que serão financiados através do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul.

Além disso, o bloco assinou um acordo de preferências tarifárias fixas com a União Aduaneira da África Austral, firmou acordos com Jordânia e Turquia para iniciar negociações comerciais, e selou um pacto com o Chile para liberalizar o comércio de serviços.

Estes avanços, que se somam à prospecção de acordos com mercados como Coréia do Sul e América Central, se contrapõem à estagnação das negociações iniciadas em 1999 com a UE para uma associação política e comercial.

Neste ponto, figura entre os sul-americanos a idéia de que a oferta dos europeus em matéria agrícola é muito pobre em contraste com o que reivindicam em bens industriais e serviços. Por isso, esperam um "reequilíbrio" das propostas, ou um acordo estaria fora de cogitação por enquanto.

A Argentina passará hoje ao Brasil a Presidência do bloco com um "sabor amargo" por não ter podido concluir neste semestre a redação do código alfandegário que transformará o Mercosul em uma verdadeira zona de livre-comércio.

"Estivemos perto de finalizar a redação do código alfandegário, mas seguramente ele será aprovado no segundo semestre. Temos mais de 90% do trabalho pronto", disse o chanceler argentino, Jorge Taiana.

Fontes consultadas pela Agência Efe confirmaram que a aprovação do código alfandegário vai ter de esperar até a segunda metade do ano, pois o Paraguai pediu que se dê possibilidade ao Governo de Fernando Lugo, que começará em 15 de agosto, de analisar a minuta da norma.

De qualquer forma, no texto ainda há pontos de divergência e, antes de sua aprovação, este será submetido a consultas com o setor privado.

No plenário, Paraguai e Uruguai também informaram os prejuízos econômicos que sofrem pelos obstáculos ao trânsito de suas transportadoras nos recorrentes bloqueios de estradas na Argentina e Bolívia, país associado ao Mercosul.

No entanto, houve consenso no momento de pedir aos países desenvolvidos avanços na Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio, para conseguir um acordo "ambicioso", mas que seja equilibrado para as nações em desenvolvimento.

Também há consenso para que nesta terça-feira os presidentes do Mercosul discutam a crise alimentícia e de energia e emitam uma firme condenação à nova política migratória da UE.

Já estão em Tucumán (1.200 quilômetros ao noroeste de Buenos Aires) os presidentes de Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela, além dos chefes de Estado de Chile e Bolívia, países associados ao Mercosul. EFE nk/mh

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