Chefe torturador do Khmer Vermelho assume culpa pela execução de diplomatas

Phnom Penh, 17 ago (EFE).- O chefe torturador do Khmer Vermelho, Kaing Guek Eav, admitiu hoje perante o tribunal para o genocídio do Camboja sua responsabilidade pelas execuções de diplomatas cambojanos que estiveram detidos na prisão de Tuol Sleng durante o regime.

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Kaing Guek Eav, conhecido como "Duch" e com 66 anos, assumiu a culpa perante os juízes depois que a filha de um dos diplomatas assassinados lhe acusou de transformar a antiga escola de Tuol Sleng em uma "uma maquina de destruir seres humanos".

"Aceito minha responsabilidade" disse o acusado, o primeiro dos cinco membros da hierarquia do Khmer Vermelho que é julgado por crimes de guerra e contra a humanidade no tribunal internacional aprovado pelas Nações Unidas.

Neary Ouk, de 34 anos, filha do diplomata cambojano Keth Ouk e da francesa Martine Lefeuvre, relatou que a última vez que viu seu pai foi quando tinha dois anos.

"Retornou para contribuir à reconstrução do Camboja e eu cresci sem pai", disse a testemunha chamada pelos advogados da acusação civil contra "Duch".

Antes Martine Lefeuvre, de 56 anos, disse perante os juízes que seu marido voltou ao Camboja a princípios de 1977 quando recebeu uma carta oficial que pedia que retornasse para ajudar à reconstrução de seu país.

O nome de Keth Ouk figura em uma das listas das pessoas que foram presas em Tuol Sleng, por onde passaram pelo menos 14 mil vítimas antes que fossem executadas no campo de extermínio de Choeung Ek, nos arredores de Phnom Penh.

Uns poucos meses depois que o Khmer Vermelho assumiu o poder em abril de 1975, o Ministério de Assuntos Exteriores, liderado então por Ieng Sary, enviou cartas aos membros do serviço diplomático pedindo-lhes que retornassem ao Camboja.

A maioria dos diplomatas que retornou foi detida logo após chegar ao país e foi conduzida aos campos de trabalho forçados e centros de tortura.

Ieng Sary figura entre os outros quatro ex-líderes do Khmer Vermelho que estão presos e à espera de julgamento por sua implicação no genocídio do Camboja, onde 1,7 milhões de pessoas morreram por causa da crise de fome, doenças e assassinatos ordenados pela cúpula do regime que sucumbiu em janeiro de 1979 após três anos e nove meses no poder. EFE jcp/fk

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