Chefe rebelde nigeriano entrega armas e recebe anistia

Lagos, 22 ago (EFE).- Um importante chefe guerrilheiro do sul da Nigéria entregou hoje as armas e recebeu junto com centenas de seus homens a anistia oferecida pelo Governo nigeriano para acabar com a violência na região petrolífera do país, informaram fontes oficiais.

EFE |

Ebikabowei Victor Ben, conhecido como "Boyloaf", era um dos líderes do rebelde Movimento para a Emancipação do Delta do Níger (Mend). Ele entregou fuzis, lança-granadas, munição e embarcações às forças governamentais em cerimônia realizada na cidade de Yenagoa.

Na cerimônia, Boyloaf vestia um uniforme militar de camuflagem e se dirigiu aos presentes, aos quais afirmou que entregava as armas com a esperança de dar uma chance à paz - palavra que estava escrito em uma camisa que usava por baixo do traje militar.

O chefe da guerrilha do Mend no estado nigeriano de Bayelsa disse esperar que o Governo da Nigéria cumpra sua promessa de promover o desenvolvimento da região do Delta do Níger.

Após a anistia, Boyloaf, considerado como um dos principais estrategistas do Mend, viajou no mês passado para Abuja com o objetio de negociar com o Governo a aplicação da anistia e a entrega das armas.

O presidente da Nigéria, Umaru Yar'Adua, ofereceu anistia a todos os guerrilheiros que renunciarem à violência entre 6 de agosto passado e 4 de outubro, um prazo de 60 dias que o próprio governante chamou de "o início do desenvolvimento" da região do Delta do Níger.

O Mend, o principal grupo guerrilheiro da região sul da Nigéria, rejeita até o momento o oferecimento da anistia, mas declarou em 15 de julho uma trégua unilateral de 60 dias, o que pode facilitar negociações com o Governo.

O cessar-fogo temporário do Mend entrou em vigor dois dias depois de as autoridades de Abuja libertarem o líder do movimento, Henry Okah, acusado por contrabando de armas e traição e que aceitou a anistia.

O Mend e outros grupos armados iniciaram sua luta em 2006 para reivindicar do Governo nigeriano mais autonomia e investimentos na empobrecida região do Delta do Níger, onde atacaram instalações petrolíferas e oleodutos, além de sequestrar funcionários das companhias petrolíferas locais e estrangeiras.

As ações dos rebeldes no Delta do Níger reduziram a produção de petróleo da Nigéria, que chegou a superar 2,6 milhões de barris ao dia, para 1,2 milhão de barris, o que prejudicou muito a economia do país e contribuiu para a alta dos preços internacionais do combustível. EFE da/bba

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